domingo, 12 de agosto de 2018

Sobre transparência na sociedade



Transparência é uma daquelas palavras positivadas socialmente. Possivelmente, porque associa-se com a ideia de "clear" - limplo. 

Uma vidraça transparente é considerada limpa, um copo cheio de água transparente indica condição de consumo.

E se fosse possível fazer uma pesquisa histórica da predominância e uso do termo, certamente muitos outros paralelos iriam enriquecer esta positividade.

Mas, também o conceito "transparência" pode ser negativado. Por exemplo, quando se faz referência a algo vazio. Algumas pessoas quando se referem a um assalto, dizem: "limparam tudo". É tanto uma referência no sentido dos itens que foram roubados, quanto a ausência de pistas para incriminação.

Mas é interessante observar como Byung-Chul Han faz uma crítica ao elemento transparência ao considerá-lo como coação social. 

Nas palavras dele: "A transparência estabiliza e acelera o sistema, eliminando o outro ou o estranho. Essa coação sistêmica transforma a sociedade da transparência em sociedade uniformizada (gleichgeschaltet)".

A busca por "produtividade", ou seja, resultado rápido condiciona a vida de maneira que todas as propostas sejam ajustadas para este fluxo. Ele é o indicador de transparência, é o padrão de limpeza, daquilo que não será considerado sujo.

Sendo assim, tudo o que se submete a esta coação ajusta-se ao sistema e permite potencializar seu fluxo. Tudo o que se opõe a coação passa a ser considerado inadequado não porque de fato é inadequado, mas simplesmente porque não atende a transparência, limpeza e fluidez que o sistema exige.

O perigo maior está na transparência coativa aplicada nas relações sociais que fazem descartar o outro, o diferente, que passa a ser considerado sujo e um atraso para a fluidez do sistema.

Para além da descartabilidade está o fato da uniformização reforçada. Até onde posso compreender e explorar a palavra "gleichgeschaltet", ela não apenas indica a uniformização em si, mas a própria disposição/indução do indivíduo/sujeito que se sujeita - por isso, entrega-se a coação uniformizadora.

Estes processos estão se tornando tão intensos na vida de modo que esta forma única/uniformizada de vida torna-se insuportável, porque quer dominar com conformidade exclusiva e apagar a diversidade da própria vida.

O que decorre na prática acerca disso são os ainda intensos processos de homogeneização que não cansam de buscar o poder absoluto do humano servil.

Até lá, juntam-se corpos desanimados, desiludidos, caídos de tanto correr em busca de uma saída. 

Então, a partir de agora, quando se falar em transparência, questione sobre seu real sentido e implicação. Se achar impróprio, deixe a vidraça suja e da água colorida faça o suco de sua preferência.

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Ederson Menezes (licenciado em sociologia, especialista em educação e  mestre em práticas socioculturais e desenvolvimento social)

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Sobre o Empoderamento do Eleitor e do Cidadão



A QUESTÃO DO EMPODERAMENTO


Esta manhã uma reportagem apresentou um candidato experiente na cultura e jornada política brasileira.

Mas como sempre, o que interessa realmente é o que ele disse ao repórter quando questionado sobre sua proposta de campanha e governo.

O candidato enfatizou que fazia parte de sua proposta O EMPODERAMENTO DO LEITOR.

Você sabe o que é empoderamento do eleitor e o qual a diferença em relação ao empoderamento do cidadão?

EMPODERAMENTO DO ELEITOR


Imediatamente recorreu o seguinte questionamento: o que significa empoderamento do eleitor?

Não há como dar mais poder para o eleitor, pois ele já tem todo poder possível, adquirido pelo poder do voto. 

A única coisa a se fazer ainda é a qualificação do eleitor, para que vote com maior consciência e não despreze o poder que possui.

Qualificar para que o cidadão não venda seu voto, para que não acredite em discurso sem fundamento e para que não limite sua atuação cidadã ao votar, apesar da importância que este ato possui.

EMPODERAMENTO DO CIDADÃO


Agora, o discurso ou proposição deste candidato deveria sim incluir de forma muito mais enfática o empoderamento do cidadão. Isto sim!

Pois, o empoderamento do cidadão significa estímulo para uma cidadania consciente e ativa, participativa. 

É esta realidade cidadã que ao invés de restringir-se as eleições vai fazer diferença durante todo o período. Desde a eleição até o momento em que o candidato eleito ocupa sua posição representativa.

É esta realidade que faz com que o cidadão não fique estagnado esperando uma próxima eleição, prezo a cultura da tentativa-erro, como se estivesse participando de um jogo apostando na sorte.

A aparente proximidade conceitual entre empoderamento do eleitor e empoderamento do cidadão não deve confundir o cidadão.

Sim, é verdade que o empoderamento do cidadão constitui nosso maior desafio. Exatamente porque a história brasileira já experimentou inúmeros desvios desde a escravidão até o direito do voto para todos os cidadãos. 

Mas esta cultura de que tudo se resolve em eleição como se fosse uma aposta lotérica precisa ser superada com cidadãos integrados que falem, cobrem e participem com todo poder que sua cidadania permite.

É essencialmente este empoderamento do cidadão que tem articulado as mudanças mais significativas para a sociedade brasileira, para o povo.

É essencialmente este empoderamento que afasta o político corrupto da oportunidade de manter sua "carreira" que restringe-se ao discurso de campanha e depois aos interesses particulares.

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Ederson M. Menezes (teólogo, licenciado em sociologia, esp. em educação, mestre em práticas socioculturais e desenvolvimento social).

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Quem forma o traficante?



Uma reportagem instigante


Hoje pela manhã foi veiculado através de reportagem o caso de um chefe do tráfico no Rio de Janeiro entre 1990 e 2000, e que mudou-se para viver em Salvador, na Bahia. 

Com identidade falsa, formou-se em direito tornando-se advogado e além de também empreender em pelo menos outros três setores.

Esta é a história do advogado, empreendedor, aprovado em concurso público, e que como estudante de especialização criminal tinha a pretensão de dar aulas em uma universidade. Do traficante que era chefe do tráfico e acumulava mandados de prisão e que agora, vivia uma nova experiência de vida.

A repercussão estranha e diferente


Depois de assistir a reportagem, fui à feira com meu filho. Enquanto caminhava nos corredores do salão comprando verduras e frutas, ouvi uma pessoa contando a reportagem para outras e juntos todos riam do fato.

De forma geral, o brasileiro faz isso: (re)conta o fato e ri. E o passo subsequente necessário é exatamente este que estamos realizando aqui.

Não conheço todos os detalhes, mas a oportunidade de ouvir novamente o fato fez despertar o questionamento indicado no título desta reflexão: Quem forma o traficante?


Responsabilidade individual e social


Não isento ninguém de responsabilidade pessoal. Mas com formação em sociologia torna-se impossível não ter sua imaginação sociológica aguçada com este relato de experiência.

Fico perguntando: o que esta pessoa estava procurando? 

Posso estar enganado pela ausência de informações mais concretas. Mas, parece que a resposta seria "oportunidade real".

Como já disse, isso não justifica o caminho percorrido. Mas aquilo que foi apresentado traz algumas reflexões significativas.

Começando pela mudança de identidade. Seria impossível recomeçar sendo a mesma pessoa, o estigma histórico não permitiria recomeço, a "caçada" não permitiria recomeço, o viver em um presídio não permitiria recomeço.

Não defendo criminoso, defendo condições do humano para poder genuinamente se desenvolver e recomeçar quando necessário. 

Afinal, este recomeço não parece ser fácil, e sabe-se muito bem, que a falta de oportunidade e condições básicas justifica o envolvimento de muitas pessoas com realidades das quais não gostariam de estar relacionadas.

Não é possível esquecer que existem muitas outras histórias de pessoas exemplares que superaram todas as barreiras, seja elas, econômicas, sociais, acadêmicas, etc. Estas são pessoas que alcançaram significativo sucesso em sua jornada. Elas são nossos ícones, nossos heróis, mas não refletem condições iguais para todos.

O que faço neste texto é relatar aquilo que trouxe provocação interna. Pois a partir deste fato, acendeu o questionamento sobre quem forma o traficante.

Será que se esta pessoa que antes era um traficante e que evidenciou através do direcionamento dos recursos que obteve, mudança, diz algo para nós como sociedade?


Os recursos eram ilícitos, mas o direcionamento para uma nova realidade de vida, com foco em empreendedorismo e educação, tem que evidenciar que algo diferente aconteceu. Pois, tudo o que se deseja de um detento é exatamente a denominada "ressocialização". 

Ninguém vai defender a forma como ele construiu sua oportunidade - foi errado! Mas quando pensamos na situação dos presídios no Brasil em paralelo com esta história é inevitável não perceber as limitações sociais e implicações destas limitações para a vida.

Essa corrosão do caráter tem sua fonte apenas no indivíduo, na sua interioridade? Quais as implicações de se considerar a possibilidade desta corrosão ser em grande grau, social? E então, quem seriam os cúmplices destes desvios? E neste caso, este recomeço terá novo recomeço dentro de um presídio? E qual a consequência de apoiar construção de oportunidade ilícita? Existem outras formas de construção de oportunidade ilícita em nossa sociedade e que não recebem o mesmo desfecho?

Indiscutivelmente, isso vai render muita... IMAGINAÇÃO SOCIOLÓGICA.

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Ederson M. Menezes - licenciado em sociologia, especialista em educação e mestre em práticas socioculturais e desenvolvimento social. educacaosociologica@gmail.com

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Breve inferência sobre crise político-econômica e o caminho da resposta

Autor do texto: Ederson Menezes*


Breve inferência sobre crise político-econômica e o caminho da resposta


Qual é a resposta humana para a crise?


Dentre as possíveis respostas categorizadas como incondicionais a uma crise, especialmente econômica, está a insegurança. 

A insegurança, por sua vez, pode manifestar-se em impulso coletor e/ou retração de consumo. Expressões de ansiedade e desespero somados ao pessimismo em relação ao presente e futuro tornam-se crescentes.

Esta insegurança tem sua manutenção continuada na observação das iniciativas incompetentes e até perversas dos governantes, que tentam igualmente de forma continuada iludir o povo com um novo discurso de esperança circense.

 

Quais são as formas gerais na abordagem de solução?


Se na tentativa de resolução da crise, a insegurança for associada condicionalmente a algum estereótipo coletivo que reforce uma possível pseudo-resposta, então, a crise e a insegurança se intensificarão socialmente gerando a continuidade e o aprofundamento da crise - desgraça sobre desgraça. Na prática, para além do "sentimento" está o crescimento da violência, miséria, crise na assistência pública em todos os setores.

O desafio de superação da crise por porte dos líderes competentes, deste modo, está transpassado pela iniciativa de avivar algum tipo de estereótipo que tenha como base uma resposta exatamente contrária - ou seja, uma resposta genuína, transformadora da realidade.

Neste caso, uma resposta que incentive o consumo regular e o os investimentos - porém, com o reforço de resultado compartilhado com cada cidadão, para manutenção da força de superação - sem isso, tudo o que se faz é apenas a manutenção de um sistema sanguessuga. Isso não exclui o fato de que o esforço é genuinamente meritório.

Os riscos de superação da crise caminham na direção de que, caso a mesma não seja superada, especialmente pela má iniciativa resolutiva do governo (e é isso que realmente nos assusta hoje no Brasil), colocará as pessoas e a própria sociedade em uma condição trágica - tendo em vista ter lhe tirado o elemento de antecipação.

O elemento antecipação é igualmente incondicionado, porque trata-se de uma resposta instintiva, preventiva e pode assegurar melhores condições durante períodos difíceis. Mas quando suspenso, torna-se como a redução do medo para andar em uma corda bamba - em que o equilíbrio depende muito mais do vento do que do equilibrista. 
Também não se deve ser ingênuo achando que o elemento antecipação é algo homogêneo, pois para alguns a possibilidade de antecipação é tão tardia que praticamente inexiste.

 

Quais são as conclusões?


Deste modo, qualquer iniciativa no campo do estímulo social precisa ser encarada, acima de tudo, com responsabilidade e efetividade nas resoluções. 

Na prática, isso deveria significar transparência no discurso, na gestão e nos atos, mas também e novamente, acima de tudo, no esforço intenso de minimização da corrupção pela seriedade política - o que infelizmente é quase uma utopia no Brasil.

Essa consciência, ou melhor dizendo, esta cultura político-econômica consciente, deveria produzir uma condição especial para cada governante e também para cada cidadão que por vezes é tão corrupto quanto os governos diariamente acusados.

Cair na real e fazer algo, mesmo que concebido como aparentemente insignificante, ainda é o caminho para um amanhã diferente. 

Longe de imaginar que a simplicidade deste texto possui suficiência para tratar a complexidade da situação. Mas é algo aparentemente insignificante da minha parte.

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*Ederson Malheiros Menezes - teólogo, sociólogo, esp. em educação, MBA em gestão de pessoas e mestre em práticas socioculturais e desenvolvimento social - educacaosociologica@gmail.com

domingo, 3 de junho de 2018

Cansei, mas é impossível parar



A ironia do sociólogo

Parece irônico como sociólogo dizer que estou em um tempo que não sei como traduzir. No entanto, isso não é por que não tenha referências para pensar ou mesmo metodologias e técnicas sociológicas para desenvolver alguma ordem de pensamento.

Os motivos do cansaço

Cansei da leitura densa da sociologia, continuo gostando, mas estou cansado de tentar trazer luz à ausência de entendimento, à importante percepção da vida e aos equívocos absurdos que alguns demonstram. Cansei de relatar problemas, descaminhos, más intenções, etc.

Por que não é possível parar?

No entanto, o fato de estar escrevendo esta postagem indica que apensar do cansaço não é possível parar, pelo menos não por muito tempo. A vida é exigente por si própria. Então é possível facilmente perceber algumas razões pelas quais o "stop" sociológico não é possível.

Primeiro, porque é inevitável não olhar, não perceber, e não relacionar as percepções. Segundo, porque a própria existência exige suporte para direção. E terceiro, porque uma vez comprometido com o bem das pessoas, é impossível desconectar-se dele. O bem deles é o nosso e é meu também.

O resultado duplo do cansaço

Mas o cansar traz seu preço, obriga redução de marcha, reduz todo o processo, por vezes faz parar por alguns instantes. E somente quando se percebe o retomar do fôlego é possível então recomeçar. Esse parar para respirar forçado, aparentemente prejudicial, tem seus benefícios, a oxigenação neural e a nova percepção fora do ciclo anterior.

As implicações do momento

O que estou descrevendo aqui não é apenas a experiência do sociólogo, mas de todas as pessoas, dos maratonistas do bem. Eles vivem o cansaço de uma geração que corre alucinadamente sem saber ao certo a razão, o percurso e o destino. 

Essa jornada alucinada e com ar de renovação exploratória, aventureira, de uma humanidade inconsequente, que alegra-se com descobertas sem análise de suas repercussões, revela uma condição perigosa, ansiosa, insaciável e tenebrosa.

A atual maratona não permite mais um mapa do tesouro porque a linha da trajetória se movimenta de forma autônoma e inexplicável. É tudo tão rápido e imprevisível - qualquer análise está desatualizada. A vida deixa de ser linear, passa a ser circunstancial, da experiência do momento, polar, de picos e vales.

Como resumir tudo isso

Por vezes, isso cansa e angustia. Por vezes, isso surpreende e anima.

Cansei, mas é impossível parar! Apenas isso! Sentei no fundo do vale ou na ponta de um pico, daqui a pouco te digo o que estou vendo.


Ederson Malheiros Menezes

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Desafios da sociedade contemporânea



A capacidade crítica evidentemente não é uniforme, muito pelo contrário, ela é desigual. E não um desigual equilibrado, mas um desigual que conserva multidões sem condições de percepção dos rumos do mundo. Além disso, o grupo mínimo com capacidade crítica está vendido em grande parte, em outra parte, se debate em conflitos intermináveis e sem solução, e ainda outros, ocultam-se sem esperança, e por fim ainda há os que fazem seus próprios negócios.

Os riscos em relação a vida continuam a ser fabricados todos os dias, de forma inconsequente. E a expectativa de sujeitos autônomos desaparece em tramas sociais caducadoras com interesse. Da consciência dos excessos à pretensa, porém não interessante prática moderadora. A aceleração rítmica dos processos da vida esgotam a reflexividade e exaurem as forças. O eixo tecnológico, motor de fluxos constantes, “metamorfoseiam” a existência sempre incompreendida.

É a chamada cibercultura, com implicações incontáveis e ao mesmo tempo imprevisíveis e aparentemente infindáveis. Para alguns, o diabo, para outros a única ainda possível esperança – mesmo que não se saiba exatamente para qual existência.

A experiência da vida cada vez mais íntima agora é compartilhada, mais precisamente e cada vez mais, vendida, a rede mercadológica da subjetividade. Ver o futuro parece desgraça e realidade dos sonhos impossíveis. Crise é uma das palavras mais complexas deste tempo – de forma que a maioria só a compreende a partir da barriga que dói de fome – infelizmente.

Qual a resposta? Ninguém sabe, mas você pode/deve ajudar a construí-la urgentemente… afinal, já passou faz tempo do apelo… caso não tenha percebido…

Boa reflexão…

Ederson M. Menezes

terça-feira, 4 de julho de 2017

Você é TOP?

Primeiro olhe os vídeos abaixo e depois leia o comentário acerca deles para compreender esta brevíssima análise.




Olhando um comentário nas redes sociais vi a palavra "TOP" e resolvi compreender um pouco mais sobre esse assunto "TOP".

Na área da comunicação, a expressão é um recurso para chamar atenção do público - uma forma de dizer que algo é bom ou superior.

Ao procurar por definição em um dicionário OnLine, acabei me deparando com o primeiro vídeo acima indicado. Neste primeiro vídeo há uma pessoa tentando explicar o que seria a palavra "TOP". Se for observado, o entendimento desta pessoa traz a palavra "TOP" para o âmbito individual, ou seja, o "TOP" que ela se refere não precisa ser algo social, apesar das referências apontarem para personalidades socialmente reconhecidas. O exemplo usado é acerca da casa em que se mora, sendo algo "TOP" para quem a possui.

Então, a palavra "TOP" conjuga-se em termos sociais e individuais para atender a necessidade de ser parte do mundo "TOP".

No segundo vídeo foi feito um remix do primeiro. Como poderia se imaginar, este foi muito mais apreciado pelos internautas. Claramente, a proposta carrega certo sarcasmo contrastando as personalidades envolvidas. Esta atitude indica de certo modo a forma como as pessoas lidam com as diferenças sociais. Por um lado desejam, por outro se ajustam, e ainda, há aqueles que fazem o remix da situação.

O anseio de ser "TOP" está nos que já são "TOP" e nos que almejam de algum modo conquistar esta condição. Mas o que as pessoas realmente querem quando desejam ser "TOP"? A resposta está em algumas necessidades básicas como atenção, pertencimento, melhor condição econômica, realização pessoal, etc. E quando isso não se materializa, a fuga da realidade obriga encontrar uma subcultura "TOP", ativada pelo pertencer a categoria "TOP" sem ser "TOP" social. Cria-se um mundo próprio em que se possa brilhar. Condição difícil? Sim! E além de difícil, complexa, muito complexa.

Tão difícil realidade e ilusão!

Você é "TOP"? Que tipo de "TOP" é você? Podemos encontrar outras configurações!

Ederson Malheiros Menezes (teólogo, sociólogo, especialista em educação e mestre em práticas socioculturais e desenvolvimento social).

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Morre Peter Berger, importante sociólogo da religião

Thornbury, presidente da King’s College: a obra de Berger “fez que os todos teólogos quisessem ser sociólogos quando crescessem”.
A reportagem é de Jeremy Weber, publicada por Christianity Today, 29-06-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.
Universidade de Boston informou o falecimento esta semana do professor emérito de 88 anos Peter Berger, fundador, em 1985, do Instituto para a Cultura, Religião e Assuntos Mundiais da citada universidade e que o levou a ser a principal fonte de estudos sobre “a religião em uma era de globalização”.
Al Mohler, presidente do Southern Baptist Theological Seminary, em Kentucky, enalteceu Berger como “talvez o pensador social mais influente do nosso tempo” e “um dos indivíduos que eu cito com mais frequência”.
O obra de Berger era “tão boa que fez com todos os teólogos quisessem ser sociólogos quando crescessem”, afirmou Gregory Thornbury, presidente da King’s College, em um tuíte que também enalteceu o pesquisador Rodney Stark.
“Houve poucos estudiosos de espírito tão independentes e influentes como Berger”, tuitou Hunter Baker, autor de “The End of Secularism” e professor de ciência política na Union University.
Berger foi reverenciado nos círculos evangélicos, mesmo não sendo ele próprio membro dessa comunidade.
“Essa não é a minha comunidade. Eu sou ‘evangelisch’, mas não evangélico”, disse ele ao Center for Faith and Inquiry, da Gordon CollegeMassachusetts, em entrevista no ano de 2013. “Em geral, eu me descrevo como incuravelmente luterano, mas me sinto bastante confortável entre os evangélicos. E entre os evangélicos e os protestantes históricos, eu prefiro os evangélicos por razões teológicas”.
Em abril passado, numa de suas últimas postagens na internet para a revista The American Interest sobre “evangélicos sombrios e alegres”, Berger escreveu sobre a sua identidade religiosa: “Sempre tive dificuldade para escolher entre ‘sem religião/sem filiação religiosa’, ‘luterano relativamente conservador’ e ‘agnóstico’”. (Ele opinava regularmente sobre os evangélicos.)
Em 2015, o teólogo Os Guinness disse ao Christianity Today que Berger tinha “provavelmente moldado o meu espírito mais do que qualquer outra pessoa viva”, citando a “ideia maravilhosa” do sociólogo de “sinais de transcendência”. Guinessexplicou:
Ele me ajudou a perceber a diferencia entre modernismo, que é um conjunto de ideias, e modernidade, que é mais como um ar cultural que respiramos. Ele possui insights fascinantes sobre a forma como a mente funciona e como as pessoas mudam de ideia, saindo de uma visão de mundo e indo para outras – o que os sociólogos chamam de uma “mudança de paradigma”, ou o que os cristãos chamam de arrependimento e conversão. Ele também tem um incrível senso de humor.
O livro de Berger “The Social Construction of Reality” (1966) é “considerado um dos textos mais influentes de seu campo e foi aclamado pela Associação Sociológica Internacional como o quinto livro mais influente escrito no campo da sociologia durante o século XX”, lê-se no tributo publicado pela Universidade de Boston.
Em 2013, Berger contou ao Center for Faith and Inquiry como ele veio a abandonar a teoria da secularização, ideia segundo a qual “a modernidade inevitavelmente produz um declínio da religião”. Ele explicou:
Quando comecei a fazer sociologia da religião – há muito tempo atrás –, todos os outros tiveram a mesma ideia. E eu mais ou menos supus que ela [a teoria da secularização] estava correta. Não era uma suposição completamente maluca; havia muitos motivos por que as pessoas diziam aquilo. Mas eu levei cerca de vinte anos para chegar à conclusão de que os dados não a sustentam, e outras pessoas chegaram à mesma conclusão.
(…)
A teoria estava errada. Agora, concluir que a teoria está errada é o começo de um novo processo de pensamento. Alguns anos atrás, concluí que para substituir a teoria da secularização – explicar a religião no mundo moderno –, precisamos da teoria do pluralismo. A modernidade não necessariamente produz a secularidade. Ela necessariamente produz o pluralismo, pelo que quero dizer a coexistência, na mesma sociedade, de cosmovisões e sistema de valores diferentes.
Isso altera o status da religião. É um desafio para todas as tradições religiosas. Mas não é o desafio da secularidade; é um desafio diferente. O problema com a modernidade não é que Deus está morto, como alguns esperavam e outros temiam. Há deuses demais, o que é um desafio, mas um desafio diverso. Então, em termos de minha carreira como sociólogo da religião, esta foi a minha maior mudança de pensamento.
Berger também ponderou sobre o reavivamento intelectual do evangelicalismo:
Falando na qualidade de sociólogo, apontamos para algo muito interessante, que é um desdobramento, nas décadas recentes, de uma intelligentsia evangélica autoconsciente. Não só em instituições como esta, e existe uma rede destas instituições espalhadas pelo país com pessoas muito significativas. Você menciona Mark Noll. Ele é respeitado não somente pelos evangélicos, mas [pelos historiadores também]. Mas pessoas assim igualmente estão disponíveis em outras instituições, não só nas faculdades cristãs. Essa é uma mudança significativa.
A propósito, um paralelo interessante é o que aconteceu com os judeus na década de 1930, quando lugares como Harvard e Princeton, que eram fechadas a eles, de repente tiveram um influxo de alunos de graduação, pós-graduação e professores judeus muito brilhantes e ambiciosos. Algo parecido acontece aqui, penso eu. Estes jovens e inteligentes evangélicos estão invadindo antigas fortalezas como Harvard e Princeton.
Uma questão interessante é como isso afetará a comunidade evangélica, na medida em que ela se torna mais instruída academicamente, mais respeitada, menos marginal. Já deve ter completado vinte anos desde que James Hunter escreveu aquele livro [“Evangelicalism: The Coming Generation” (1987)] onde previa que os evangélicos, em uma ou duas gerações, se tornariam como os demais protestantes, tão chatos quanto os congregacionalistas, digamos. Algo assim não ocorreu, pelo menos ainda não. Portanto previsões são perigosas.
O que eu diria é que algum efeito iremos ver disso tudo, e existem uns exemplos em que o evangelicalismo se choca com visões gerais sobre o que é o mundo. A evolução é um exemplo óbvio. Mas isso, até agora, não influenciou o cerne da fé evangélica, e não o vejo acontecendo neste momento também. O futuro, nunca se sabe.
No FacebookRichard Mouw, teólogo público, filósofo e presidente emérito do Seminário Teológico Fuller, em Pasadena, na Califórnia, compartilhou uma memória de Berger na forma de tributo:
Em um grupo informal de debates no Hartford Seminary, em Connecticut, na década de 1970, estávamos discutindo ativismo social, e eu fiz o seguinte comentário: “Todo o cristão”, disse, “é chamado a ativamente trabalhar pela justiça e a paz no mundo”. Peter [Berger] respondeu: “Sério, Richard? Realmente acha isso?” Certifiquei-lhe de que sim, eu pensava aquilo realmente. Em seguida, me contou de uma tia já idosa, que vivia num asilo. Todas as manhãs, explicou, ela fazia um enorme esforço para reunir coragem e ir ao refeitório almoçar. Ela tinha um problema de bexiga e temia passar vergonha quando permanecia na fila para pegar a refeição. Diariamente ela rezava ao Senhor para lhe dar coragem, e então descia até o local. Para ela, concluiu Peter, o ato mais radical de fé era reunir coragem para ir almoçar. “Então, Richard, o que você tem dizer a esta mulher sobre a obrigação também de trabalhar ativamente por justiça e paz no mundo?” Peter Berger me deixou uma lição inesquecível com essa história.
Em 1997, para a revista The Christian Century Berger entrevistou a si próprio sobre a modéstia epistemológica. [1]
Mohler entrevistou Berger em 2010 sobre o repensar a teoria da secularização. [2]
Em 2008, para a publicação “Books & Culture” do Christian TodayBerger escreveu sobre o evangelho da prosperidade [3] e, em 2009, refletiu nas páginas da Christian Today sobre a prosperidade redentora [4]. Em uma resenha de 2012, publicada igualmente no Christian TodayBerger analisou “por que os americanos não acham estranho falar com Deus” com base no livro de Robert Wuthnow, intitulado “The God Problem”.

Leia mais


Fonte: <http://www.ihu.unisinos.br/569225-falecimento-peter-berger-importante-sociologo-da-religiao>

Material de Sociologia - Material disponibilizado com fins didáticos pessoais

SOCIOLOGÍA

I. INTRODUCCIÓN A LA SOCIOLOGÍA


Nicholas S. Timasheff: La Teoría Sociológica


II. TEORÍAS SOCIOLÓGICAS CLÁSICAS

II.1. Positivismo

II.2. Fenomenología


II.3. Hermenéutica


II.4. Interpretación de Autores Clásicos


Bravo Víctor, Díaz-Polanco Héctor y Michel Marco: Teoría y Realidad en Marx, Durkheim y Weber

Paul Ricoeur: Teoría de la Interpretación (Discurso y excedente de sentido)
Juliend Freund: Sociología de Max Weber

II.4. Marxismo Clásico
III. TEORÍAS SOCIOLÓGICAS CONTEMPORÁNEAS

III.1. Marxismo Estructuralista
III.2. Marxismo Historicista


III.3. Estructuralismo Michel Foucault

Michel Foucault: Historia de la sexualidad I
Michel Foucault: Historia de la sexualidad II
III.4. Interaccionismo Simbólico

Erving Goffman: La representación de las personas en la vida cotidiana
Erving Goffman: Internados
Erving Goffman: Estigma
Erving Goffman: Los momentos y sus hombres
III.5. Posmarxismos

Anthony Giddens: Sociología

Anthony Giddens: La constitución de la sociedad

Pierre Bourdieu: Sobre la televisión
Pierre Bourdieu: Sociología del arte
Pierre Bourdieu: Sentido práctico
Pierre Bourdieu: homo academicus
Pierre Bourdieu: La reproducción
Pierre Bourdieu: Respuestas por una antropología reflexiva

Perry Anderson: Tras las huellas del materialismo histórico


III.6. Pensamiento Sistémico


Niklas Luhmann: El Poder
Niklas Luhmann: Sistemas sociales
Niklas Luhmann: El derecho de la sociedad
Niklas Luhmann: El arte de la sociedad
Niklas Luhmann: La sociedad de la sociedad




Talcott Parsons: El Sistema Social
Talcott Parsons: La Estructura de la Acción Social Tomo I
Talcott Parsons: La Estructura de la Acción Social Tomo II

Talcott Parsons: La sociedad
Talcott Parsons: El sistema de las sociedades modernas

III.7. Sociología de los Movimientos Sociales

Sidney Tarrow: El Poder en Movimiento
Neil J. Smelser: Teoría del Comportamiento Colectivo
Doug McAdam, Sidney Tarroy y Charles Tilly: Dinámica de la Contienda Política


III.8. Sociología del Conflicto

Pedro Luis Lorenzo: Fundamentos teóricos del conflicto social
John Rex: Problemas fundamentales de la teoría sociológica
Lewis A. Coser: Las funciones del conflicto social
Ralf Dahrendorf: Las clases sociales y sus conflictos en la sociedad industrial
Revista UBA: Los Clásicos y su visión del conflicto social

III.9. Sociología Urbana y Sociedad Red


Manuel Castells: La cuestión urbana

Manuel Castells: Comunicación y poder

Henri Lefebvre: Espacio y Política
Henri Lefebver: La producción del espacio 

III.10. Sociología de la Cultura


Néstor García Canclini: Culturas Híbridas

Néstor García Canclini: Las culturas populares en el Capitalismo
Cornelius Castoriadis: La institución imaginaria de la sociedad

III.11. Escuela de Franckfurt


Jurguen Habermas: Ciencia y técnica como "ideología"
Jurguen Habermas: Historia y crítica de la opinión pública
Jurguen Habermas: Conciencia moral y acción comunicativa
Jurguen Habermas: Conocimiento e interés
Jurguen Habermas: El Occidente escindido
Jurguen Habermas: Escritos sobre moralidad y eticidad
Jurguen Habermas: Debate sobre el liberalismo político
Jurguen Habermas: Pensamiento postmetafísico
Jurguen Habermas: El discurso filosófico de la modernidad

Jurguen Habermas: Verdad y justificación

Max Horkheimer: Teoría Crítica
Max Horkheimer: Crítica de la razón instrumental

Theodor W. Adorno: Dialéctica negativa
Theodor W. Adorno: Epistemología de las ciencias sociales
Theodor W. Adorno: Mínima Moralia

Theodor Adorno y Max Horkheimer: Dialéctica de la ilustración

Theodor Adorno y Max Horkheimer: La sociedad. Lecciones de sociología

Theodor Adorno y otros: La disputa del positivismo en la sociología alemana

Martín Jay: La imaginación dialéctica


Alicia Entel: Escuela de Frankfurt, Razón, Arte y Libertad


III. 11. Sociología de la Familia

Caterine Cicchelli-Pugueault y Vinzenso Cicchelli: Las teorías sociológicas de la Familia

III. 12. Constructivismo

Piaget, Vigotski y Maturana: Constructivismo a tres voces

IV. ECONOMÍA POLÍTICA


V. METODOLOGÍA SOCIOLÓGICA

V.1. Redacción Académica

Fidias G. Arias: Tesis & Proyectos de Investigación

Paul R. Solomon: Guía para redactar informes de investigación
Texto UAA: Manual de Redacción en Formato APA
Howard Becker: Manual de escritura para científicos sociales
Susana González Reyna: Manual de redacción e investigación documental

UPAL: Manual de Trabajos de Grado de Especialización, de Maestría y Doctorado
UCES: La cita y la referencia bibliográfica formato APA
Miguel Ángel Gómez Mendoza: Cómo hacer tesis de maestría y doctorado 
Estelle M. Phillips y Dereck s. Pugh: Cómo obtener un doctorado
Silvia Dominguez y otros: Guía para elaborar una tesis de pregrado

V.2. Metodología CLACSO

Ruth Sautu: Manual de Metodología de la CLACSO



VI. EPISTEMOLOGÍA

Clefford Gertz: La Interpretación de las Culturas

Karl Popper: La Lógica de la Investigación Científica
Thomas Kuhn: Las Estructuras de las Revoluciones Científicas
Thomas Kuhn: Que son las revoluciones científicas
Anthony Giddens: Las nuevas reglas del método sociológico
Gastón Bachelard: La formación del espíritu científico
Irme Lakatos: La metodología de los programas de investigación
Irme Lakatos: La historia de la ciencia y sus reconstrucciones racionales

VII. SOCIOLOGÍA POLÍTICA


Taylor Charles: El Multiculturalismo y la Política del Reconocimiento

Wrigth Mills: La Élite del Poder


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Fonte: <https://portalcienciassociales.blogspot.com.br/p/sociologia.html>