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sexta-feira, 18 de julho de 2014

FESTA!!! Pensando sobre a COPA DA VIDA

Mesmo sendo brasileiro, morando no país do futebol, não sou um entusiasta acerca desta modalidade esportiva. Poderia ser classificado como um daqueles torcedores que normalmente não assiste muito mais do que jogos do Brasil na Copa ou a final de algum campeonato brasileiro.

Mas apesar das limitações de torcedor, o evento Copa do Mundo faz pensar sobre algumas realidades que quer se tenha consciência ou não, fazem parte da vida de todos nós. Neste sentido será importante pensar sobre as manifestações "anti-copa" do ano passado, pensar nos investimentos realizados no país (a quem de fato eles beneficiam), nos bastidores políticos da Copa, nos interesses nem sempre claros do evento e no pós-Copa.

Certamente que como qualquer outra iniciativa deste porte, e mesmo que fosse para um planejamento familiar se faz necessário fazer um balanço final, tentar responder a questão acerca dos frutos e resultados - e não se está falando do fato da Alemanha ter ganhado a copa (se bem que agora, após as investigações de corrupção que envolvem a FIFA, a coisa ficou complicada).

Para isso, é necessário refletir para além da qualificação técnica da seleção brasileira, dos gols mais bonitos da Copa. É preciso pensar sobre a razão de um evento assim receber tanta importância e atenção, do motivo que fundamenta as reportagens e instigam os caminhos e assuntos de "reflexão" do povo brasileiro.

Aprecio o futebol, mas será que não temos assuntos mais importantes para ocupar nossos diálogos e mobilizar uma torcida no sentido de construir um país melhor, uma torcida que chore as derrotas do dia a dia e acredite em algo mais concreto e transformador? A justificativa de alegria momentânea e analgésica não me convenceu. (Agora sim, discutir futebol ficou coisa séria, pois antes era apenas sobre futebol, mas agora, rolou a bola da corrupção, e que bolão).

Não sou contra a Copa, sou contra ilusão, sou contra manipulação de massa e desvirtuamento das reais possibilidades humanas de construir a festa da vida, festa essa que não deixa ninguém passar fome ou sem saúde, que passo a passo concretiza-se para todos ou pelo menos para a maioria.

Não estou esquecendo do desafio de inserir o Brasil no cenário econômico mundial, ou pelo menos, polir sua imagem para investidores (e aqui quanta coisa há para pensar). A proposta é pensar se este grande evento festivo do futebol que ocupou e continuará ocupando recursos financeiros e tanto tempo de nossa vida foi o caminho certo para se alcançar a superação de desafios que nos envolvem no Brasil.Também não estou ignorando as respostas já recebidas de que não se está esquecendo estes desafios, apenas gostaria que as pessoas não discutissem ou visualizassem somente a vitrine da Copa. (De fato, os bastidores são maiores que as vitrines e infelizmente a visão não está sendo agradável).

A proposta aqui é simples, fazer pensar um pouco mais sobre os fatos que nos envolvem e sobre como vamos nos comprometer com a Copa da Vida, para ver se no final, dará para fazer festa com todos - ou pelo menos com a maioria. E a festa em proposição não é um momento restrito em estádio de futebol, mas vem antes dele e continua depois dele. Ela acontece no dia a dia, em casa e fora dela. "Sou brasileiro, com muito orgulho".

Ederson Malheiros Menezes

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Uma brevíssima análise (sociológica) e pessoal do ocorrido em Três Passos – RS


As barbáries e atrocidades vistas nos canais de comunicação eram motivo de espanto nas cidades, vilas e comunidades interioranas. Cresci e vivi a maior parte de meu tempo em uma delas, próximo cerca de 30 km de Três Passos – RS, cidade que visitava rotineiramente. Percebo hoje com maior clareza as influências sofridas no período da adolescência e juventude e que instigavam maneiras de pensar e viver, que alimentavam sentimentos conturbados e promoviam a vida plástica, de vitrine, com marcas de ambição. Não é difícil recuperar lembranças sofridas na pressão social e de classe que na juventude era marcada (e ainda marca) na simples possibilidade de dirigir um carro – a promoção e realização de pertencer a uma classe “superior” (mesmo que isso fosse apenas status), que podia tudo, inclusive fugir da polícia conforme se via nas belas apresentações dos grandes atores cineastas.

Mas a pergunta que não quer calar em meu interior é como pode uma pessoa interiorana ter uma identidade tão violenta a ponto de virar um caso da mídia nacional? Refiro-me ao caso desta “família” da cidade de Três Passos no RS, que conforme anúncios jornalísticos deixam implícito, mataram uma criança de 10 anos (filho dele).

Fui colega do Leandro Boldrini no ensino fundamental (se não me engano 6ª ou 7ª série) e ao ter convivido com ele num mesmo contexto, recuperando lembranças de “guri” como dizem os gaúchos, não consigo imaginar por ter ele se mantido nesta região quais as influências teriam sido advindas dela própria para que neste presente, seu caráter pudesse de tal forma configurar-se.

A questão me fez pensar sobre as influências da globalização – principalmente num caráter midiático e tecnológico de construção social da violência, influências culturais, comportamentais, ideológicas e porque não dizer cosmológicas – que cultivam a formação de uma identidade violenta. Afinal, atrocidades humanas não tem mais localização geográfica como se observava acerca das pequenas cidades interioranas em relação as grandes metrópoles. A violência está junto, é semente que cresce como erva daninha em qualquer quintal.

No mundo de ganância predominantemente econômica, da promoção da corrupção em face as amarras da justiça, constitui-se espaço para que tipo de formação, caráter e postura humana? Logicamente, que isto não justifica a questão, e nem deve assim fazê-lo, esquecendo-se de que a vida é marcada por opções pessoais e que outras pessoas com as mesmas influências fizeram escolhas nobres. No entanto, isto coloca a forte possibilidade destas influências não gerenciadas, mas recorrentes, estimularem outros valores, outro caráter e consequentemente outras atitudes como estas narradas neste caso.

Não consigo ver a situação apenas como uma questão pessoal, o que como já dito, sem excluí-la de maneira alguma. Mas instiga-me as influências sociais hoje cada vez mais globais e próximas, tão próximas, acessadas no simples toque de um botão.

Aqui não justifico ou acuso a ninguém, pois não é a proposta desta reflexão, mas é inevitável que o alerta seja soado e promova ações humanas mais concretas por todos nós no sentido de verificar realidades subversivas que envolvem a vida gerando tristezas – e não apenas verificar, mas agir na desconstrução das mesmas. Caso contrário, podemos continuar nosso pranto esperando o fruto destas e outras influências negativas nas próximas gerações. Será violência de violência.

Ederson Malheiros Menezes