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quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Politicagem, Perturbação Emocional e Consciência Cauterizada

POLITICAGEM, PERTURBAÇÃO EMOCIONAL E CONSCIÊNCIA CAUTERIZADA


Poucas coisas me perturbam emocionalmente de forma tão intensa como a politicagem.

Deparei-me com esta realidade na interioridade humana, na família, nas instituições e na ágora política - na esfera da vida do ser humano, dentro dele e fora dele. 

O jogo dos interésses! Da justiça reconfigurada para além do bem realmente comum.

É importante sintetizar que politicagem resulta em perturbação emocional profunda!

Sabe aquela sensação de erupção vulcânica nas suas emoções... é disso que estou falando.

No exercício da inteligência socioemocional sou obrigado a questionar a razão de tamanho incômodo.

Em um primeiro instante, fico feliz por estar incomodado, pois problema maior seria ver a injustiça e a politicagem acontecendo e ainda ficar indiferente - isso seria muito preocupante!

Porém, de tempos em tempos, crio um distanciamento da esfera política - uma tentativa de  exercitar a saúde emocional no sentido contrário - como fuga mesmo!

É claro! Este distanciamento existe muito mais como atitude de ignorar, do que de fato afastar-se - o que é impossível em um mundo cada vez mais articulado por politicagens em diferentes esferas.

O "jeitinho" cresce, está em constante transformação e em processo intenso de aculturação - ninguém escapa, de modo que há apenas duas opções: perturbar-se ou cauterizar-se. 

Se você acompanhar alguns atores políticos, a percepção da corrupção na sua jornada será visível. 

Muitos começam bem intencionados, mas no decorrer dos anos a cultura da politicagem, forte e devoradora, estende seus tentáculos, anestesia suas prezas e injeta lentamente seu veneno que vai sendo consumido e assumido como líquido vital da ação política.

Uma das primeiras evidências aparece logo no discurso, que depois é reforçado pelos fatos.

Existem muitas obras que falam sobre corrupção, mais do que o ato em si, estou pensando no que acontece dentro do ser humano antes do fato corrupto - corrupção da humanidade, dos princípios e valores.

E para refletir sobre um fragmento desta corrupção, existe um conceito que precisa ser referenciado. Estou pensando em "consciência cauterizada". 

Ele é relevante em sua relação com a politicagem e perturbação emocional acerca da injustiça.

Afinal, só quem não tem a consciência cauterizada é que se perturba e se enche de indignação.

Entenda indignação como raiva justa (considerando o grande desafio que é definir o que é justo).

Lembre-se que estas experiências, são experiência da vida, de nossa própria cultura - não dá para fugir delas.

Como seres humanos, somos fruto e criadores de nossa cultura - cultura que comporta a politicagem.

Para alguns, aqueles que se adaptaram a ela, foi necessário cauterizar a consciência com mecanismos diversos.

Os cauterizados, passam então a ser reconhecidos como exímios bem-adaptados.

Para outros, os mal-adaptados, sobra tão somente a perturbação emocional - a raiva justa, a indignação.

É certo que, no momento em que escrevo este texto estou emocionalmente perturbado.

Por que? Politicagem! 

Porque a minha consciência ainda não foi e, espero, nunca venha a ser cauterizada.

Então, viva a boa perturbação emocional, a raiva justa, a indignação!


Ederson M. Menezes (teólogo, licenciado em sociologia, administrador em formação, especialista em educação, MBA em gestão de pessoas e mestre em práticas socioculturais e desenvolvimento social.)

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Jovens de Negócios - Empreendedorismo Jovem ou de Jovem - Que jovens são estes

 

Jovens de Negócios - Empreendedorismo Jovem ou de Jovem - Que jovens são estes?

 O que está acontecendo? De quem é culpa? O que estamos fazendo com nossos jovens? O que eles estão fazendo de si próprios?


Estava pesquisando algumas imagens para usar em uma de minhas palestras.

De repente, deparei-me com a imagem destes dois jovens sentados em uma praça.

Então, não resisti!

Resolvi editar a foto com pontos de conexão para ajudar no entendimento do que observei.

 

Chamou muita atenção o fato do comportamento, postura e estilo.

Bom, você já sabe que para os jovens de hoje, estes três itens são muito significativos.

Mas, o que muitos não percebem é que tornaram-se uma geração que apesar de estarem perto geograficamente, não conversam senão pela tecnologia e em grande medida de uma forma superficial, compartilhando trivialidades.

Eles são os PERTO-SEPARADOS.

 

É surpreendente o acesso que estes jovens tem a informação, tudo na palma de sua mão através de seu samartphone. 

Deveria ser um prazer enorme conversar com eles, no entanto, mais uma vez, as futilidades e um "besteirol" interminável ocupa suas mentes o dia inteiro. 

Mesmo havendo continuamente o destaque de alguns ícones que honram o ser jovem inteligente, em grande parte o que se vê é o CONECTADO-ALIENADO.

 Sim, com acesso a tanta coisa e ao mesmo tempo, tão sem noção do que está acontecendo com o mundo e com sua própria geração.

E, se você chamar a atenção de um jovem, ele se levantará para defender sua liberdade com todas as forças que possui. Ele pensa que é livre!

Não percebe que está condicionado pelo consumo, pelo interesse, principalmente econômico de outras pessoas.

Jovens condicionados quanto ao seu comportamento, postura e estilo. Não acredita? Olhe para a foto e veja com seus próprios olhos. Olhe para as ruas da sua cidade, talvez, para os jovens que estão dentro da sua própria casa.

O incrível é que o jovem não percebe que ele é um LIVRE-CONDICIONADO.

 

Por vezes, penso que para alguns deles tudo isso significa fuga de uma realidade da qual não querem acessar.

E, a melhor maneira de fugir tornou-se a experiência do momento: entretenimento!

Isso é tão importante que parece que a vida ficou teatralizada de modo que o único gênero é comédia e ação sem consequência.

Recentemente ouvi alguém dizer que estamos pela primeira vez diante de uma geração que reduziu seu conhecimento em relação a geração anterior - a geração de jovens de hoje está popularmente sendo chamada de "mais burra".

A preocupação do jovem está com sua imagem - não a real, aquela editada pixel a pixel, com a ginga do vídeo, com o número de curtidas, comentários e compartilhamentos.

O virtual é sua nova vida, ele optou pela Matrix, optou por uma ilusão neuro-tecnológica.

Por isso, o jovem é ENTRETIDO-ILUDIDO.

 

Em meio a tudo isso, se renovam os questionamentos:

- O que está acontecendo?

- De quem é a "culpa"?

- O que estamos fazendo com nossos jovens?

- O que os jovens estão fazendo de si próprios?

 

Então a linguagem atual começou a ser "Empreendedorismo Jovem", que com certeza possui muitas iniciativas positivas.

Entretanto, esse diálogo também se confunde com "Empreendedorismo de Jovens" de modo que eles são clientes e produtos ao mesmo tempo - mais um nicho ("lixo") para o consumo inconsequente.

Estes jovens estão sendo convidados a assumir os mesmos negócios que os formaram e estão formando eles - os mesmos negócios que os constituíram como SEPARADOS, ALIENADOS, CONDICIONADOS E ILUDIDOS.

A única diferença é que uma massa deles está sendo colocada em pedestal e exibe isso com suas grandes conquistas materiais, insensibilidade social, e pior de tudo, total acaso com a vida dos outros e com o mundo.

 

Eu tenho poucas possibilidades de resposta para superar ISSO. 

E, a única convicção no momento é de que estas respostas começam com a emergente conscientização da nova geração.

Cuide-se jovem, sua vida é o maior de todos os negócios!


(Ederson Malheiros Menezes - Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social, MBA em Liderança e Coaching na Gestão de Pessoas, MBA em Coaching e Analista Comportamental, Esp. em Docência no Ensino Superior, Esp. em Educação a Distância - educacaosociologica@gmail.com).

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

FAKE DÁ NOJO - FAKE NEWS É SO O COMEÇO DO DESAFIO SOCIOCULTURAL

FAKE DÁ NOJO - FAKE NEWS É SO O COMEÇO DO DESAFIO SOCIOCULTURAL

 Ederson Malheiros Menezes*


Fake é uma palavra em inglês que significa falso, algo que foi falsificado.
Possivelmente, você já deve ter ouvido a palavra fake associada com as mídias sociais.
Afinal, foi nas redes sociais que as denominadas Fake News se multiplicaram causando impactos diversos no mundo.
Mas, recentemente deparei-me com a expansão do universo fake para outras realidades da vida.
Por exemplo, uma crítica no âmbito do marketing acerca da fake empathy. A expressão usada era “we’re tired of empathy” (Estamos cansados de falsa empatia).
Mas não pára por aí… falsa notícia, falsa empatia, falsa personalização, falsa autenticidade e assim por diante.
Agora, pare um pouco e pense…
A palavra fake está incorporando um conjunto de outras palavras como mentira, falsidade, trapaça entre outras. Estas palavras estão entregando sua existência ao conceito fake.
Então o gravíssimo problema decorrente das fake news passa a ser costumeiro e portanto cada vez mais comum, causando menos espanto.
De outro lado, ser mentiroso, falso e trapaceiro também já não é mais tão complicado já que é apenas mais fake ou parte de uma realidade onde fake é comum.
Recentemente assisti ao filme “Eu me importo” na Netflix.
Este filme mostra uma curadora de idosos (representante de idosos), ou seja, uma pessoa que usava de planos sórdidos com apoio de profissionais corruptos para pegar bens que pertenciam a idosos que haviam lutado a vida inteira para conquistá-los. E, ela fazia isso, vivendo luxuosamente e alegando cuidar deles.
O filme inteiro mostra uma luta entre trapaceiros, mentirosos, falsários e também, um quadro com fotos vítimas dos golpes – pessoas exploradas.
Apesar de a palavra fake não aparecer no filme, ela deveria estar no título e em várias cenas – mas, principalmente na consciência de quem assiste, pois mostra uma cultura baixa, cheia de ganância e desprezo pelo ser humano.
A cultura fake é uma fragilização da cultura moral, ou seja, dos valores – o retrato de uma realidade na contramão do ser um ser humano melhor, de uma sociedade que realmente pode ter algum futuro.
Essa realidade sociocultural descrita indica que está cada vez mais fácil (coação e coerção) ser mentiroso, trapaceiro e falsário. É o processo socializador fake. E isso, dá nojo!

* Ederson Malheiros Menezes é teólogo, licenciado em sociologia, acadêmico de administração, especialista em docência e tutoria em EaD, especialista em docência no ensino superior, MBA em liderança e coaching na gestão de pessoas, MBA em coaching e analista comportamental e mestre em práticas socioculturais e desenvolvimento social – educacaosociologica@gmail.com

sábado, 26 de dezembro de 2020

Pandêmico - 2020 Fica na História


 

PANDÊMICO -  2020 FICA NA HISTÓRIA*


Como analista social deveria recorrer aos dados estatísticos de dezembro, às possíveis 220 mil mortes por Covid no Brasil. Esta análise seria considerada mais "científica".

Mas, em meio as minha subjetividades faço uma breve pausa para descrever a própria experiência pandêmica, a partir desta impossível neutralidade.

Retrato da experiência de brasileiro, pai de família, trabalhador que oscila nos pensamentos e sentimentos de um ano tenso que encerra com poucos avanços e com tantas quantas incertezas de como começou.

A definição de pandêmico talvez seja diferente do dicionário, que simplesmente categoriza como uma adjetivação, como fazendo referência a pandemia - epidemia que atinge vastas regiões - no nosso caso, o mundo inteiro.

Isso nos faz lembrar de como o dicionário nos ajuda, mas também nos limita - é um recurso para construirmos conceitos que traduzam de forma breve nossas experiências e conhecimentos - e, como tal, ao sintetizar, minimiza.

Então, os conceitos minimizam, este texto minimiza, as reportagens minimizam (apesar de algumas maximizarem tendo em vista ter maior audiência).

Mas, a pior minimização é aquela que faz da vida um jogo político de interesses pelo podre poder.

Então, o que é mais pandêmico? O covid? Ou esta miserável condição humana dos que depreciam, banalizam e vulgarizam a vida nas jogatinas de interesses privados.

Foi um ano que começou e encerra em falsidade de informações.

Foi um ano que começou e encerra em oscilação de pensamentos, sentimentos e indefinições.

Foi um ano de tentativa de fuga e confronto indesejado por milhares e milhões despreparados.

Foi um ano em que o pranto das mazelas de existência e condição se expressaram tão intensamente que adoece multidões não só por causa do vírus.

Foi pandêmico!

E, as recomendações que se pode fazer a partir deste momento que insiste em persistir é não adoeça humano, é fortaleça-se humano nos valores mais dignos que a vida possui. 

Pois, de outro modo a pandemia irá passar e continuaremos pandêmicos!

E, pessoalmente, prefiro que o PANDÊMICO, fique apenas na história.


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*Ederson Malheiros Menezes, mestre em práticas socioculturais e desenvolvimento social - educacaosociologica@gmail.com


quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Pilares Para Estudo da Religião

 

 PILARES PARA O ESTUDO DA RELIGIÃO

Um norte inicial para o campo de estudo religioso

Ederson Malheiros Menezes*

DIÁLOGO INICIAL

O tema religião pode ser espinhoso, pois sempre lidamos com mais do que ideias, são crenças que se entrelaçam com experiências de sentido existencial, registradas a partir de vivências dinâmicas, emocionais, culturais, afetivas, entre outras.

Sendo assim, a proposição de estudo já pode ser em si mesma considerada uma afronta.

Então, saiba de antemão que não é esta a proposta.

O objetivo é estimular a compreensão acerca da crença ou não - do universo religião.

E para que isto aconteça são estabelecidos alguns pontos norteadores.


A DISTINÇÃO ENTRE RELIGIÃO E FÉ

Portanto, o primeiro ponto é fazer a distinção entre religião e fé.

E, neste sentido, compreende-se que religião diz respeito a experiência vivenciada e compartilhada um grupo de pessoas. Ou seja, é algo coletivo.

Já a questão fé, diz respeito a algo pessoal, subjetivo - que pertence ao universo da própria pessoa.

Esta separação inicial auxilia a definir o que são questões pessoais, particulares de fé das questões religiosas de âmbito coletivo.

E, caso esta separação não ocorra, qualquer proposição para reflexão será interminável já que cada indivíduo possui em si considerações bem específicas acerca da experiência religiosa/de fé.


A COMPREENSÃO DE POSSÍVEIS ABORDAGENS

Existe diferentes formas de abordar a questão religiosa.

Por exemplo, de uma perspectiva fenomenológica, percebe-se fenômenos comuns em diferentes religiões e a partir deles se constrói as observações.

De um outro modo, pode-se partir para uma abordagem histórica, a qual considera cada experiência de maneira separada em cada contexto específico.

Este reconhecimento de possíveis abordagens possibilita o enriquecimento da pesquisa e proposição de diferenciadas observações.

Existem outros métodos de abordagem que podem ser considerados para além destes enunciados.


O RECONHECIMENTO DO ASPECTO EUROCÊNTRICO DE ÂMBITO RELIGIOSO

Por fim, cabe destacar a atitude necessária para a pesquisa.

E, neste sentido, já que é praticamente impossível ignorar a subjetividade do pesquisador, deve-se considerar o fato de que herdamos esta tendência cultural de pensar de que apenas aquilo que eu acredito é que está certo.

Para fins de pesquisa, esta tendência deve ser evitada, pois não se trata de fazer uma apologia da fé ou mesmo do ateísmo, mas estudos no campo religioso.

E, a apensar da neutralidade do pesquisador ser apenas um ideal, ainda assim, toda a pesquisa precisa ser realizada com o máximo possível de zelo neste sentido.

Isto evita que o pesquisador e sua pesquisa tornem-se tendenciosos.

 

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Ederson Malheiros Menezes - teólogo, licenciado em sociologia, esp. em docência no ensino superior, esp. em docência e tutoria em EAD, MBA em liderança e coaching na gestão de pessoas, MBA em coaching e analista comportamental, mestre em práticas socioculturais e desenvolvimento social - educacaosociologica@gmail.com 


Texto e vídeo construídos com base na perspectiva de estudo da religião de Leandro Karnal que pode ser encontrada nesta playlist (https://www.youtube.com/watch?v=CztqsoWZOQU&list=PLQBQEnFyYIPY0aR4d4R0m_naw7VjKdDFq)