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domingo, 23 de abril de 2023

"Bruxaria Científica" ou Sociologia?

BRUXARIA CIENTÍFICA OU SOCIOLOGIA?

Dentre os sentidos possíveis da palavra "bruxaria" está o de "acontecimento extraordinário, inexplicável, que se atribui a forças sobrenaturais. (dicio.com.br)".

Nunca havia imaginado a relação de tal conceito com a sociologia e de certo modo instigou minha atenção.

[...] Várias tentativas foram - e são - feitas para colocar barreira entre a sociologia e o mundo social. Tem havido - e ainda há - uma constante fetichização da metodologia, uma ênfase na "neutralidade de valores", o desenvolvimento de uma linguagem "científica" especializada e esotérica destinada a confundir os não iniciados, a adoção da parafernália do profissionalismo - tudo isso funcionando como uma barreira entre a sociologia e o mundo que ela investiga. Dessa maneira, a sociologia torna-se uma espécie de "bruxaria" científica que assume uma existência própria muito distante e isolada dos seres humanos que ela pretende descrever, investigar e analisar. (Michael Hviid Jabobsen e Keith Tester).

Me parece que esta "bruxaria científica" não é um problema exclusivo da sociologia, mas sim de várias áreas do conhecimento.

A busca pelo inusitado, pelo revolucionário, pelo mais tecnológico e assim por diante tem conduzido iniciativas que se distanciam e se perdem até mesmo de seu objeto de estudo.

A justificativa destas iniciativas segundo os próprios autores supracitados é considerar uma atividade social "singularmente livre do poder, do autointeresse e do preconceito.

No entanto, apesar da relevante justificativa, o resultado tem sido  uma irrelevante sociologia.

O diagnóstico final é que "a sociologia precisa ser resgatada de si mesma".

O remédio que já vem sendo ministrado há algumas décadas chama-se "imaginação sociológica". Afinal, "privada de imaginação sociológica, a sociologia só pode fornecer informação; e, na visão de Mills, a quantidade de informação que o mundo dispõe já é maior que sua capacidade de lidar com ela".

Meus próprios limites limitam observar todas as implicações possíveis. Entretanto, a observação acerca de qual sociologia se pratica creio ser relevante para o momento e também para as próximas gerações.

Estamos diante de uma sociologia da sociologia que desafia os pensadores e a própria compreensão e experiência da vida.

O simples, reconhecidamente mais humanitário parece-me ser uma boa retomada metodológica. Afinal, voltar pode não significa retrocesso como alguns pensam.

Não é uma defesa dos clássicos, mas um convite para refazer os exercícios de uma forma talvez diferente.

Então, desejo a você uma incrível imaginação sociológica!


Ederson Malheiros Menezes (Licenciado em Sociologia e Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social - educacaosociologica@gmail.com)

quinta-feira, 16 de março de 2023

Minha relação com a esfera social e a sociologia

MINHA RELAÇÃO COM A ESFERA SOCIAL E A SOCIOLOGIA


Como escolhi a sociologia?

Minha pretensão inicial era fazer uma graduação em filosofia.

Mas, devido a alguns fatores geográficos e condições de tempo a opção que tornou-se viável foi sociologia.

Não perdi minha apreciação pela filosofia, mas fiquei muito surpreso e realizado com minha licenciatura em sociologia.

Hoje,se tivesse que escolher entre os cursos filosofia e sociologia, esta segunda opção seria com certeza a opção preferencial.

Uma breve autoanálise - Sociologiaa

Ao questionar a razão desta predileção pela sociologia caí em uma autoanálise da própria jornada de vida e que para mim, justifica o fato da sociologia ter este encaixe comigo.

Eu sempre digo que passei um bom tempo da minha vida morando em uma rua que separava o centro da cidade do bairro.

Isso permitiu conviver com realidades sociais muito diferentes.

Tinha amigos que brincavam com pneu velho de bicicleta e outros que esbanjavam suas motocicletas e os carros que usavam de seus pais.

Não entendia a razão das diferenças e não tinha a mínima condição de fazer qualquer análise social naquela época - era apenas um junior adolescente.

Minha experiência era tão somente de vivenciar as esferas em suas contrastantes diferenças.

Uma simples consideração da essência

Creio que pela forma de criação, sempre olhei as pessoas como pessoas e não por aquilo que elas possuem ou não.

No entanto, a curiosidade quieta e interna sempre instigou no sentido de entender mais o meu entorno.

Quando paro para pensar sempre me vejo preocupado com a condição de vida das pessoas, com a justiça e uma sociedade harmônica.

Sou um pessoa reservada, pouco sociável, mas profundamente preocupada com a condição social.

Esta preocupação parece uma daquelas coisas que fazem parte de sua essência, não tem como simplesmente abrir mão dela.

A resposta para o caso da sociologia

Em algum momento, muitos jovens pensam em mudar o mundo - eu também pensei e tentei isso muitas vezes.

Mas, mais do que por um momento, isto continua na minha vida.

Claro! Conforme o tempo passa você amadurece, percebe suas limitações e então foca na sua possibilidade de contribuição - entendendo que por menor que seja, desde que efetivamente positiva, é muito importante.

Esta reflexão poderia estender-se em relação a muitas outras experiências, mas todas vão afirmar a mesma coisa.

Parece então que não escolhi a sociologia, foi ela que me escolheu não apenas como uma ciência, mas como uma experiência de vida.


Ederson Malheiros Menezes - MAR/20223

Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social

terça-feira, 22 de março de 2022

Metaverso - Será que estamos preparados para Tecnologias mais Envolventes?

Metaverso - Será que estamos preparados para Tecnologias mais Envolventes?

Eu tenho conversas regulares com meus filhos sobre o uso da tecnologia.

Alguns diriam que falar não adianta!

Por isso, procuro andar com eles, interagir através da tecnologia para que a voz de orientação tenha mais significado de vida.

Sempre fui apaixonado pelo universo tecnológico, tanto que aprendi a programar de forma autodidata.

No entanto, sempre carreguei alguns temores sobre o desbravar tecnológico e mais especificamente sobre o uso adequado da tecnologia pelas pessoas em geral.

Estas preocupações se intensificaram há alguns meses na minha mente, especialmente quando surgiu o anúncio empolgado do metaverso.

A pergunta básica está no título deste texto: "Será que estamos preparados para tecnologias ainda mais envolventes?"

No Instagram do Jornal Folha de São Paulo vi (data em que escrevo este texto) esta reportagem:

 


"Um adolescente de 13 anos confessou ter matado a mãe e o irmão mais novo a tiros no último sábado (19) em Patos, no sertão da Paraíba, segundo a Polícia Civil. Ele disse que cometeu os crimes porque teria sido proibido de usar o celular para jogar com os amigos. Pouco antes de sair de casa para ir a uma farmácia comprar remédio para a esposa, o pai do garoto, um policial militar reformado, não deu permissão para que o filho usasse o aparelho de telefonia. Enquanto o adulto estava fora de casa, o garoto pegou a arma e atirou na mãe, segundo a polícia. Ao voltar para casa, o PM viu a mulher e o filho baleados e pediu para o filho largar a arma. No entanto, o adolescente também atirou contra o pai, ainda de acordo com a polícia. O homem de 57 anos ficou gravemente ferido. O menino foi apreendido e levado para a Delegacia de Patos. De acordo com o depoimento do garoto, ele era pressionado para tirar boas notas na escola."

Eu não tenho dúvida acerca dos diversos benefícios que poderão surgir mediados pela tecnologia. Mas, será que estamos preparados para usá-los com sabedoria?

Se hoje já temos episódios como este além de vários outros apontamentos (inclusive científicos) dos malefícios do mau uso das tecnologias - o que acontecerá quando esta imersão ser várias vezes mais intensa do que é?

Os games foram criados para entreter, mas levaram jovens a cometer loucuras matando pessoas.

As redes sociais e todas as tecnologias de informação e comunicação ajudaram de forma incrível no período pandêmico, no entanto, tornaram-se instrumentos viciantes para muitos e pior, instrumentos ardilosos de manipulação de massa por políticos.

Continuo sendo um apaixonado pela tecnologia apesar de ter meus receios de apostar exclusivamente no "solucionismo tecnológico" messiânico para os grandes desafios da humanidade - parece que nem sequer teremos outra opção se o ser humano não acordar.

Enfim, há muita coisa para pensar e o objetivo aqui é apenas provocar reflexão e atitudes mais inteligentes.


Autor: Ederson Malheiros Menezes (bacharel em teologia, licenciado em sociologia, acadêmico de administração, esp. em EaD, esp. em docência no ensino superior, MBA em gestão de pessoas, MBA em coaching e análise comportamental, mestre em práticas socioculturais e desenvolvimento social).


 

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Não Olhe Para Cima - Que Negacionismo é Este

 

NÃO OLHE PARA CIMA - QUE NEGACIONISMO É ESTE?

É difícil indicar um filme sem fazer considerações sobre ele... breves considerações....

Eu assisti o filme disponível na Netfliz em dois tempos, ou seja, a metade em um dia e a outra na madrugada sem sono.

E, como todos sabem, uma madrugada sem sono é longa... interminável.

Por isso, antes de assistir a última parte resolvi ler algumas notícias em manchete em alguns dos principais jornais do mundo... de tempos em tempos faço esse exercício.

Depois de ler as notícias, voltei ao filme para terminá-lo de assistir.

Por que estou mencionando esta pausa que fiz em assistir o filme?

Porque ao ler as notícias percebi a conexão direta com algumas temáticas do filme.

Entre elas, a fixação por entretenimento e tecnologia que invade nossas vidas e de algum modo cruza a contribuição sadia que poderia dar e torna a experiência da vida fútil.

Vi vários críticos na internet fazendo referências a postura negacionista apresentada pelo filme, mas, comecei a me perguntar que negacionismo é este?

Por que usamos a tecnologia e o entretenimento para fugir da realidade?

Um "super-prazer" estimulado é muito melhor do que ansiedade sufocante - seria somente isso?

Em nosso comportamento, por que optamos pela fuga e não o enfrentamento da realidade?

Pessoalmente, teria várias considerações sobre estes assuntos. 

Mas, acredito que as perguntas são nossas melhores amigas no exercício que todos nós devemos fazer.

Então... questione-se!

Pessoalmente, achei a primeira parte do filme irritante - acho que esta era mesmo a intenção diante das realidades e o negacionismo "mal-humorado".

Chama atenção aqueles cientistas desesperados (e de fato, é assim mesmo que eles estão tentando comunicar suas descobertas a um mundo alienado) em meio a um "besteirol" que chamam de entretenimento e que cultua o negacionismo com humor.

A segunda parte do filme, a que achei melhor, trabalha de forma mais intensa o despertar das populações - que só vai ocorrer com a tragédia na cara.

O despertar vem com resgate de valores que de fato são maiores.

O filme oferece inúmeras oportunidades para refletir a sociedade, mas a frase que mais chamou minha atenção é uma declaração no final do filme "tínhamos tudo".

Ainda temos?

Espero, por nossa geração e pelas próximas, que SIM!

Ederson Malheiros Menezes (teólogo, licenciado em sociologia, bacharelando em administração, esp. em educação à distância, esp. em docência no ensino superior, esp. em gestão de projetos ágeis (em andamento), MBA em gestão de pessoas, MBA em coaching e analista comportamental e mestre em práticas socioculturais e desenvolvimento social).



sábado, 27 de novembro de 2021

Corrupção e Profissionalismo no Setor Público - Servidores Públicos

CORRUPÇÃO E PROFISSIONALISMO NO SETOR PÚBLICO - SERVIDORES PÚBLICOS

Não tenho dúvida de que a união destas duas temáticas (corrupção e profissionalismo) dariam uma coleção significativa de livros.

Por isso, antecipo o reconhecimento de minha limitadíssima reflexão.

Como estudante da esfera da ética e desenvolvimento pessoal e profissional é praticamente impossível não encontrar o elemento corrupção nas jornadas de estudo.

E, acompanhando o desenvolvimento profissional de diversas pessoas, em meio a análise sociológica contínua que decorre de interações diversas, é impossível em algum momento não refletir onde o profissionalismo público encontra seus primeiros obstáculos para se efetivar com maior qualidade.

Neste sentido, limito minha reflexão nesta afirmação e pensamento mais ou menos estruturado....

É um modo de corrupção olhar para o setor público com ênfase na segurança profissional e econômica, tendo em vista que na sua razão organizacional de existir, as organizações do setor não têm este objetivo dirigido aos profissionais da própria organização. No entanto, esta "curtura" parece estar consolidada nos interesses profissionais sem muitos questionamentos mais significativos (EMM).

No cotidiano, os jovens são estimulados por seus pais a escolherem carreiras que possam garantir segurança econômica e profissional, sendo reconhecido, de algum modo, que o que procuram pode estar no setor público.

Deste modo, o motor do público deixa de ser o bem comum, e a corrupção do profissional já se instala em seu berço - do bem comum para o meu bem.

Esta mentalidade vai orientar a carreira de muitos profissionais por longo período e talvez, por toda sua carreira.

Uma possível ruptura pode dar-se a partir da própria iniciativa do profissional do setor, quando este, assume maior consciência de sua atuação profissional no setor público e então, torna secundário sua própria estabilidade profissional e econômica em detrimento de sua ação pública eficiente e eficaz.

Evidentemente, este olhar de subsistência profissional e econômica não são os únicos vieses que corrompem a essência do que deveria ser um profissional do setor público.

Acredito, sinceramente, que esta deveria ser uma das primeiras ações, a conscientização profissional para "servidores" públicos sobre o "público".

Entretanto, fique claro que esta conscientização é algo interno do profissional e não cerimonial pelo status ou imposição organizacional.

De forma muito sincera, não tenho pretensão alguma de ofender ninguém, até porque acredito que muitas pessoas foram envolvidas em processos "curturais" já estabelecidos.

Também compreendo que o cerimonialismo do status ou a mera cobrança oraganizacional/institucional pública e externa, apesar de ainda serem oportunidades, não são de fato, o que constituem de verdade um SERVIDOR PÚBLICO.

Entretanto, constitui sim objetivo aqui, estimular a reflexão do próprio servidor público para que o mesmo, ao seu tempo, consciência e coragem faça sua autoanálise profissional.

A pergunta básica de autoavaliação é básica e direta: há corrupção no meu profissionalismo?

Também é importante mencionar, que esta corrupção de essência não é uma particularidade de profissionais do setor público.

Em diversos sentidos existe corrupção profissional, apenas destaca-se aqui este desalinhamento. Assim, um cientista é corrupto quando perde sua neutralidade, um advogado ou juiz é corrupto quando tenciona a justiça, um professor é corrupto quando não reconhece sua necessária atuação significativa e vívida nos processos de ensino, um estudante é corrupto quando se autolimita em suas oportunidades de aprendizagem, etc.  

O fluxo da vida e das interações sociais nos impõe vivências pouco refletidas e exatamente por isso, seria algo corrupto um cientista social não alertar ou despertar tais reflexões inquietantes.

 

Ederson M. Menezes (teólogo, licenciado em sociologia, administrador (em formação), especialista em educação e liderança na gestão de pessoas e mestre em práticas socioculturais e desenvolvimento social).