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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

O problema não é o partido

 


O PROBLEMA NÃO É O PARTIDO

 

Período de eleições presidenciais no Brasil - qual é o problema?

A rivalidade partidária ainda é ar tóxico que se respira, que impregna os pulmões de fuligem e cauteriza a consciência.

A manutenção ideológica travou-se no espaço-tempo para festa dos interessados, pelo menos até que a tragédia alcance seu ápice.

Você compreende que o problema não é o partido, não é a ideologia, mas sim um "humano" que não sabe quem é e que por isso tem um modo de existir interesseiramente medíocre?

As instituições partidárias se firmam em seus pressupostos ideológicos que são como riquezas congeladas - justificativas mantidas para manutenção de poder e condição que atrofia os outros. 

Na verdade, não se quer mesmo resolver nenhum problema.

Talvez, porque compreendeu-se que a essência do problema é insolúvel.

Talvez, porque não se queira olhar realmente para o problema.

Esquerda-Centro, Centro, Direita-Centro - não importa o espectro, tudo é como um teatro.

Sejamos sinceros, não vai mudar - o messianismo político é tão forte que revigora a ilusão do direito de votar - um votar sem consciência.

Tragédia! Tragédia é a coisa? Não! Tragédia é o que visualizo.

O humano que não aprendeu a mudar e só muda com a tragédia.

E eu nem queria ser pessimista!

 

Ederson Malheiros Menezes - Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social - educacaosociologica@gmail.com

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Quando a escola deixa de ser

 


QUANDO A ESCOLA DEIXA DE SER

Ederson Malheiros Menezes

 

O mundo e as pessoas atravessam transformações intensas.
Muitas coisas estão deixando de ser.

As relações deixam de ser afetivas e se tornam conexões.
Os lugares deixam de ser vividos para virarem publicações nas redes sociais.

Entre essas mudanças — de vivências, vínculos e sentidos — está a escola.

Era para ser uma alegria pegar a mochila e ir para a escola.
Para muitos, porém, tornou-se um peso que aborrece a vida.

Não se pode generalizar.
Mas era para ser inspirador encontrar os professores; para muitos estudantes, tornou-se assustador, tedioso ou até constrangedor.

Os colegas eram para ser a melhor parte: rir, brincar, pertencer.
No entanto, o que cresce é o exibicionismo, a competição e o alerta permanente da violência.

Não surpreende, então, que os resultados esperados — aprendizagem, civilidade, pertencimento social, até mesmo patriotismo — apareçam muito abaixo do desejado.

A formatura deveria celebrar conquistas.
Mas o que se ouve com frequência é um grito de libertação escolar.

Os atores educacionais se esgotam.
As estruturas travam e tornam-se obsoletas.

Dói dizer.
Mas, em muitos sentidos, a escola deixou de ser. 

 

Ederson Malheiros Menezes - Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social - educacaosociologica@gmail.com 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Sociologia da Rede Social

 

SOCIOLOGIA DA REDE SOCIAL

Ederson Malheiros Menezes

 

A começar por este título, alguém poderia dizer que ele não é atrativo ("não é sexy") - o pessoal do marketing vai com certeza reclamar.

O que é a Rede Social ou o que são as Redes Sociais?

Instrumento(s) de compartilhamento e exposição social. Mas, isto é só o começo...

Por que migramos de populações predominantemente tímidas para múltiplos perfis exibicionistas?

De repente o quieto foi obrigado a falar, o oculto foi obrigado a se expor, o particular tornou-se público.

De repente, o medo de expor-se virou em uma febre patológica de autoexposição.

Recentemente ri quando alguém lembrou comparativamente em uma postagem que um astronauta foi até a lua e tirou quatro fotos e que um usuário da rede social foi até sua academia e tirou centenas de fotos além de fazer vários vídeos. A grandeza dos feitos era realmente diferente!?

Por que devo expor minha vida nas redes sociais? O que espero com isso?

Alguém poderia dizer que expor-se tornou-se uma questão existencial, afinal se você não estiver nas redes sociais, você "não existe". 

Então, num primeiro momento, significa dizer "oi, estou aqui, eu existo, este sou eu".

Mas, isto torna-se tão mais intenso, pois você pode configurar de modo fácil quem é você, e fazer isso de diferentes formas, experimentar diferentes "eus" que atendam as demandas sociais e sonhos pessoais.

Mas, por que preciso doentiamente chamar tanto a atenção dos outros?

Primeiro, porque é o que todo mundo faz e nem sequer questiona acerca de um motivo.

Segundo, porque se você pensar um pouco perceberá que é uma ilusão confortante, que trata superficialmente da existência frustrada. É uma ilusão que se retroalimenta, que cresce em proporções muito diferenciadas entre o virtual e o real. Evidentemente, que o virtual é mais falsamente virtuoso.

Alguém precisa olhar nos seus olhos e dizer: sua vida é uma mentira, uma ilusão, acorda!

Mas, por que ninguém se coloca neste sentido de abrir os olhos dos outros? E a resposta é que são realmente poucos que não estão alucinados, são poucos os conscientes, além de que, tirar pessoas de seus sonhos ilusórios não é bem visto, gera confusão nos relacionamentos.

A ansiedade não diminui ao postar, ela se intensifica, afinal, agora vêm a parte das curtidas, como se meu futuro dependesse de muitos cliques.

Curtida significa aprovação, abrangência, importância, status, etc, etc...

As novas gerações se acostumaram com estas relações vazias e superficiais mediadas pelas redes sociais.

Mas este acostumar-se tem um preço, o preço da contínua insatisfação, da ânsia constante de que sempre está faltando algo, e que faz intensificar as publicações porque não se sabe a resposta para seu próprio vazio.

Lembre-se disso: o superficial sempre vai ser vazio.  

Volto ao título deste texto "Sociologia da Rede Social" - é evidente que este texto jamais poderia ser compreendido para além de uma introdução a uma pequena reflexão, a um ensaio, pois a questão é muito mais complexa e abrangente do que os grãos de areia aqui destacados e que pertencem a uma imensa praia ou deserto.

Precisaríamos, por exemplo, refletir sobre se esta "rede" é um tipo de coerção social, e qual o resultado desta coerção. Precisaríamos entender de que modo as "redes" mobilizam as ações das pessoas que vemos nas ruas caminhando e dirigindo sem tirar os olhos da tela. Enfim, há muitas coisas para observar tendo em vista uma "Sociologia da Redes Sociais". 

Aqui quero apenas instigar você a pensar sobre seu próprio uso das redes sociais e os impactos positivos e negativos dela em sua vida.

É claro que temos muitos perfis para além deste que posta nas redes sociais, por exemplo há aqueles que apenas navegam infinitamente vegetando na frente da tela.

Mas isso e muito mais, será assunto para outros diálogos e reflexões.

 

Ederson Malheiros Menezes (Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social - educacaosociologica@gmail.com) 

sábado, 15 de novembro de 2025

Eu e a sociologia em 2025

 EU E A SOCIOLOGIA EM 2025

Ederson Malheiros Menezes*

 

No primeiro texto que escrevi neste ano de 2025 falei sobre alguns dos motivos pelos quais gosto de estudar sociologia.

O texto foi publicado em março e meu objetivo era começar a reconstruir os fundamentos de minha formação sociológica.

Então me propus a fazer alguns estudos, entre eles, ler algumas das obras dos clássicos da sociologia.

Mas também, queria estudar sobre o amor. Então publiquei em abril do mesmo ano uma artigo com este título "Sobre o Amor". 

Comecei a fazer algumas leituras, mas não as terminei porque ainda estava lendo os clássicos da sociologia e estes gostaram de ocupar o palco da minha mente.

Além dos clássicos, fiz algumas outras leituras que estimulassem o olhar sociológico.

Escrevi em junho deste ano sobre a força de pensar sociologicamente.

Não consegui avançar em minha leituras como queria, mas foi se posso dizer "um ano interessante". 

Quero continuar com minhas leituras, pois o pouco que foi possível realizar neste ano de 2025 foi suficiente para renovar a importância desta área do conhecimento em mim.

Cresci em minha percepção social, não o tanto que queria, mas cresci e agora quero continuar alimentando este crescimento.

Por fim, me sinto na obrigação de mencionar que este projeto de conhecimento não é algo tão simples e fácil.

E, o motivo para tal revelação diz respeito ao fato de que ampliar sua consciência é uma realidade no mínimo dual, ou seja, de um lado você fica maravilhado com a libertação através das descobertas, porém por outro lado, você fica sufocado e deprimido com muitas realidades melhor compreendidas.

Possivelmente, este será meu último texto de 2025. É mais um compartilhar acerca dos meus passos sociológicos.

Produzi diversas reflexões, mas elas ainda estão em "banho maria" aguardando o momento proprício para serem compartilhadas.

Espero que 2026 seja um ano com maiores avanços.

quarta-feira, 18 de junho de 2025

A força de pensar — Sociologia e resistência em meio às práticas alienadas

A força de pensar — Sociologia e resistência em meio às práticas alienadas

 

Introdução

Vivemos em uma sociedade que estimula o desempenho, a comparação e o sucesso. Desde o modo como trabalhamos até como cuidamos do corpo ou nos relacionamos, somos envolvidos por normas invisíveis que orientam nossas ações. Pensamos estar agindo livremente, mas muitas vezes apenas reproduzimos expectativas sociais naturalizadas. A consciência disso é dolorosa, mas necessária. E exige força — não apenas física ou emocional, mas força sociológica: a coragem de pensar contra a corrente.


O corpo como campo de disputa

Na academia, por exemplo, ergue-se ferro, mas também se sustentam valores. O corpo masculino forte, definido e resistente é um símbolo de capital social. A exibição de força vai além da saúde: é um ritual de distinção e competição. Senti-lo em mim, como impulso, foi perceber que não sou imune. No entanto, pude lutar: lutar contra o automatismo, contra a normatividade do desejo de vencer o outro. Essa luta é silenciosa, íntima e constante. É a força de pensar em meio ao suor.


Outros ambientes de cegueira social

Esse tipo de alienação se repete em vários espaços. No trabalho, confundimos realização com produtividade sem fim. Nas redes sociais, buscamos atenção mais do que conexão. No consumo, compramos símbolos de pertencimento. Nas relações afetivas, confundimos amor com status. Até mesmo na fé, às vezes, buscamos desempenho espiritual. A vida social moderna é, em muitos aspectos, um convite à inconsciência confortável.


A força de resistir

Durkheim nos ensinou que os fatos sociais nos moldam como forças exteriores, coercitivas e quase invisíveis. Bourdieu mostrou que esses moldes se tornam parte de nós como habitus. Byung-Chul Han denuncia como a positividade tóxica mascara essa dominação com discursos de liberdade. Em meio a tudo isso, pensar é resistência. É preciso força para parar, interrogar, duvidar. E mais ainda: para retomar o sentido autêntico da ação.


Conclusão

Erguer pesos é um gesto físico. Pensar, em um mundo de automatismos, é um ato político. Toda vez que resgatamos a consciência sobre por que fazemos o que fazemos, iniciamos uma pequena rebelião contra a alienação. A sociologia, nesse sentido, não é apenas ciência, mas prática de libertação. E exige de nós uma força rara: a de pensar.


Ederson Malheiros Menezes - Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social - educacaosociologica@gmail.com (Texto construído em diálogo de experiências pessoais e temáticas com o ChatGPT).

domingo, 13 de abril de 2025

SOBRE O AMOR

SOBRE O AMOR

Ederson Malheiros Menezes *


Não sei se é impressão minha, mas para além dos filmes românticos adocicados transmitidos em canas de streaming, tenho a impressão que se reduziu o uso da expressão "amo você", ou outra expressão qualquer semelhante. 

Em outras palavras, as pessoas estão falando menos sobre amor -  e isto, talvez, possa sugerir que estão também, vivendo menos o amor.

O amor continua no pódio das emoções. 

No entanto, parece ser um ídolo venerado secretamente; e ainda, vivenciado como intocável e inalcançável. 

Tenho alguns questionamentos iniciais básicos: 

  • Como se diz hoje que você ama algo ou alguém, quando não se fala "eu te amo"? 
  • Será que o amor está sendo deixado de lado ou encontrou-se outra forma de ser expresso? 
  • Será que o amor está passando por uma metamorfose e configurando-se em um conceito e até mesmo prática diferente do que até então se compreendia por  "amor"?

Para alguns, a expressão oral "eu te amo" precisa acontecer, no entanto, para outros, a verdadeira expressão acontece no dia a dia através de ações que comunicam o amor. 

Claro, há aqueles ainda mais exigentes que querem as duas cosias coisas e mais um pouco - que não sabem ainda exatamente o quê.

Há pouco tempo resolvi colocar em uma rede social a pergunta "O que é amor para você?". 

E, o resultado foi que ninguém respondeu. 

Coloquei episódios variados de minha vida que envolviam violações no trânsito, vendedores abusivos, etc e houve interações. Mas, ninguém ousou revelar o que é o amor, o que entende por amor.

As experiências são diversas. 

Os casos mais atraentes parecem ser aqueles apaixonados, especialmente os que estão bem roteirizados em uma história envolvente com cenas memoráveis. 

Em contraste, estão os desiludidos, feridos que reclamam sobre as ilusões do amor. E ainda, em meio a estes existem aqueles que não sabem exatamente o que querem, se amor ou liberdade - e parece que este grupo é enorme.

Se o amor antigo era muito exigente, então percebe-se um esforço para torná-lo mais fácil. 

Claro que os que fazem este esforço ainda não entenderam que é inútil, pois enfraquecer o amor é torná-lo insuficiente e até mesmo extingui-lo.

Parece que a escola do amor faliu! 

As disciplinas não conseguem traduzi-lo. E as propostas pedagógicas todas fracassaram, de modo que nenhuma receita deu certo como receita mestre.

Tentou-se de todas as formas aprender a amar, mas se há algo sem evolução apesar do esforço, isto diz respeito ao amor.

Também é interessante que apesar de poucos saberem amar, todos cobram amor. E, mesmo que seja algo convencional, formal, ou ainda, fantasioso e ilusório, todos querem ver o amor acontecer.

E para cada nova geração são colocadas novas exigências de esforço, no ímpeto secreto de que alguém encontre a resposta suficiente para abrandar a grandiosa carência oculta no interior de cada ser humano.

Todos têm uma receita de amor que, normalmente, se mostra poderosa de forma circunstancial, mas não resiste ao tempo e nem a abrangência do amor.

Algumas pessoas podem até ficar ofendidas se você disser que elas não sabem amar, então é melhor ser cordial - será? 

Mas, e você teria coragem de dizer que alguém não sabe amar? 

Parece que é difícil alguém ter esta coragem porque também sente-se entre aqueles que ainda não aprenderam o suficiente sobre o amor.

Bom, esta temática é muito mais abrangente do que se possa imaginar. Mas, quero encerrar com uma hipótese testável para quem quer se aventurar na arte de amar.

Minha hipótese é de que superficializamos e artificializamos o amor, de que a valorização a ele atribuída seja oca. De que a atenção não está sendo suficiente, de que não se entendeu que este elemento da vida é realmente essencial.

Estamos tão ocupados com coisas de muito menor valor e desperdiçamos a oportunidade de aprender a amar.

Então, minha sugestão é para você sair da superficialidade e mergulhar no amor. Não é para você se encantar com a narrativa, é para você viver intensamente e dinamicamente a experiência de amar.

Antecipo que a jornada é a de uma vida, mas cada passo consciente é satisfatório para uma existência que deseja ser intensa. 

Bem-vindos ao universo paralelo e não paralelo do amor!


* Ederson Malheiros Menezes - Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social, MBA em Gestão de Pessoas, Esp. em Psicologia Positiva, Esp. em Neuroeducação, Bacharel em Administração, Licenciado em Sociologia, Bacharel em Teologia. E-mail: educacaosociologica@gmail.com

sábado, 1 de março de 2025

Por que eu gosto de estudar sociologia?

 


POR QUE EU GOSTO DE ESTUDAR SOCIOLOGIA? 

(Ederson Malheiros Menezes * - educacaosociologica@gmail.com)


Meu primeiro contato com a sociologia foi "estonteante". Tive dificuldades em definir com precisão exatamente o quê a sociologia estudava. 

Eu tinha uma mente muito voltada para o indivíduo e era difícil pensar socialmente, ou seja, a partir de uma imaginação sociológica.

Mas, a medida que avançava em minhas leituras (e sociologia exige muita leitura)  começava a pensar de uma forma mais abrangente.

Sempre gostei de conceitos, então este foi um dos primeiros motivos que me fez gostar de sociologia.

Claro que outras áreas do conhecimento também possuem muitos conceitos, mas a sociologia nos desperta de um modo único como ser humano social.

Isso me leva a outro fator de estima pela sociologia, ou seja, o autoconhecimento, um autoconhecimento social, afinal somos seres sociais.

A sociologia tem um poder incrível de autoconhecimento, sim ela é exigente. Mas, a compreensão que esta disciplina nos dá é diferenciada - você sai do convencional, do clichê.

O terceiro motivo que posso elencar e que vem em decorrência dos conceitos e  do autoconhecimento é a consciência abrangente acerca de si e da vida.

 

Segundo Lakatos (1990):

A Antropologia Cultural aborda os problemas da cultura; o Direito focaliza o setor normativo do comportamento social; a Economia volta-se para o setor da organização de recursos naturais; a Política preocupa-se com as relações de poder; a Psicologia Social estuda o comportamento individual determinado pela interação grupal. Entretanto, cabe a Sociologia a analise de todos os setores do superorgânico.

Como seres sociais que somos vivenciamos a vida em uma diversidade de interações que constituem nossa existência, de relações contínuas através das quais influenciamos e somos influenciados.

Neste ponto vale dizer que tomar consciência sobre muitos aspectos não significa ter condições de modificá-los, mas pelo menos não nos conservamos em um estado de alienação - e este é um conceito sociológico que aqui traduzo de forma simples, como ignorante, sem noção ou compreensão de algo que existe e interfere em sua própria vida.

Pode-se dizer que gostar de sociologia nos dias de hoje é quase um ato de escolha por um modo de sofrimento.

Sim! A sociologia é vista como "chata" e ignorantemente por muitos definida como "inútil". E, não vou me deter aqui tentando explicar o motivo.

Não acho que seja fácil gostar de sociologia, entretanto, compreendo como uma necessidade emergente - sim, eu sei, necessidade que muitos vão ignorar.

Se eu tivesse que dar um conselho para você começar a gostar de sociologia seria o seguinte:

- Comece a estudá-la como forma de autoconhecimento.

Não é este mesmo autoconhecimento anunciado nas redes sociais de modo genérico - falo de um autoconhecimento considerando que você é um ser social, que foi constituído socialmente e vive continuamente em interação como muitas pessoas e organizações sociais. 

Eu sei.... precisa ler muito, e é assim mesmo. Por isso, eu disse que é difícil gostar de sociologia, especialmente em uma sociedade digital onde as informações são cada vez mais objetivas e prontas - e sociologia exige que você leia e pense - entendeu, use sua massa cinzenta. 

Um outro conselho...

A não ser que você esteja apaixonado pelo conhecimento sociológico, leia com calma, reflita sobre a aplicabilidade do que leu em sua vida e no mundo.  

Há leitura densas... sabe aqueles livros que você lê um parágrafo e parece que ao terminá-lo você não conseguiu entender nem as vogais? É assim mesmo! Leia de novo, e de novo, e de novo, e ... o importante é continuar lendo.

Ah! Mas sociologia não vai me trazer dinheiro... provavelmente não! Mas, mas... vai te dar condições de um modo de vida, que só o dinheiro não vai conseguir.

Bom, eu já gosto de sociologia, agora já posso me preocupar também em ter mais dinheiro... rsrsrs. E você?

Já sei, provavelmente está pensando só em dinheiro... e eu poderia ajudar você a entender a razão da vida ser assim, mas se você começar a estudar sociologia, descobrirá por si próprio, com o bônus de uma consciência mais abrangente para toda sua vida.


* Ederson Malheiros Menezes - Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social. MBA em Gestão de Pessoas. Especialista em Gestão Ágil e Psicologia Positiva. Licenciado em Sociologia. Bacharel em Administração e Teologia. E-mail: educacaosociologica@gmail.com

sábado, 23 de novembro de 2024

SOCIOLOGIA DA DEPENDÊNCIA TECNOLÓGICA


 

SOCIOLOGIA DA DEPENDÊNCIA TECNOLÓGICA

(Ederson Malheiros Menezes)


Este texto há algumas décadas atrás estaria sendo escrito com um lápis ou uma  caneta em um papel, talvez através de uma máquina de escrever, daquelas que necessitava da pressão dos dedos para marcar o papel com tinta.

Hoje, este texto é digital, escrito através do computador em um blog. Se faltasse energia, ou se se algum problema técnico do computador aparecesse, ele não poderia ser escrito e muito menos lido.

Mas este, pode-se dizer, seria o menor dos problemas se os processos tecnológicos fossem fragilizados ou sofressem alguma avaria.

Seu dinheiro é digital e depende do funcionamento tecnológico, assim como sua comunicação, sua orientação por GPS, o painel do seu carro e o alarme de sua casa. Seu medidor da pressão arterial e seu termômetro são digitais e até mesmo seu relógio.

As fotos de sua família, aquelas que narram sua história são digitais e estão hospedadas em plataformas digitais ou cartões de memória digital. Várias realidades de nosso dia a dia são condicionadas a processos digitais e hoje até mesmo seus documentos pessoais são digitais.

Acho que já deu para entender que uma pane tecnológica causaria uma catástrofe existencial e de vida sem precedentes.

Talvez, para alguns com seus mais de quarenta ou cinquenta anos, ainda seria possível sobreviver. Mas, as gerações mais novas entraria em colapso junto como toda a tecnologia.

De algum modo as pessoas são condicionadas e escravizadas a um modo de vida, uma vida tecnológica.

Não se pode ignorar de modo algum os avanços e benefícios da tecnologia, mas este é um texto que reflete acerca de temores, fragilidades e consequências na vida do ser humano subjugado tecnologicamente.

É assustador o tempo que grande parte das pessoas utilizam totalmente imersas em um celular. Algumas já evidenciam um vício de modo que a abstinência tecnológica constitui tratamentos da atualidade.

Então, vivemos num mundo em que, se alguém apertar um botão do outro lado do planeta, isso pode grande impacto para a vida de outras pessoas que estão do outro lado do planeta.

Não é inteligente maravilhar-se com o avanço da tecnologia sem refletir sobre seus  retrocessos e impactos na humanidade.

Talvez o questionamento mais singelo e ajustado ao sistema seja: qual o real preço deste "benefício" tecnológico?

Um dos impeditivos da reflexão e avaliação inteligente do avanço tecnológico é exatamente sua velocidade de desenvolvimento. Deste modo, antes mesmo de se validar tal descoberta, ela já está obsoleta e avança sem freios ao além.

Veja bem, isto não é uma crítica em relação a tecnologia no sentido de não usá-la, mas uma análise crítica dos seus processos e resultados que nem sempre são considerados.

O questionamento seguinte é: Será que é inteligente tamanha dependência da tecnologia para a vida?

Por exemplo, não é incomum ver discursos em que não se acredita no futuro do planeta para além de uma possível resposta tecnológica, ou seja, acredita-se que se a tecnologia não trouxer uma resposta, a existência humana no planeta estará em seu fim.

Para alguns, não existe outra saída a não ser colocar sua esperança na tecnologia. Afinal, é mais fácil do que modificar a mentalidade e o condicionamento que rege o ser humano na atualidade, de um consumo desenfreado e inconsequente que abre as portas para as propostas tecnológicas de igual modo inconsequentes.

A dependência tornou-se tão grande, que como já enunciado, dependo da tecnologia para que este texto seja lido por mais pessoas e que possa de algum modo produzir algum bom fruto - mas, parece que esta dependência é algo positivo.


Ederson Malheiros Menezes (Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social - educacaosociologica@gmail.com)

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

A SOCIEDADE DA FUMAÇA


A SOCIEDADE DA FUMAÇA 

(Ederson Malheiros Menezes)*

 

Certamente você já ouviu a expressão "Onde há fumaça, há fogo". Mas, a experiência nos diz que há mais do que apenas estes elementos.

Passei a noite acordado com irritação nos olhos, bebendo água e cuidando dos filhos que sentiam dor de cabeça, mal-estar, dor nas cavidades nasais e na garganta por causa da fumaça.

Escrevo aqui do Rio Grande do Sul em setembro de 2024, respirando a fumaça das queimadas desde a Amazônia, Pará e Mato Grosso, dentre vários outros estados do Brasil - uma fumaça que atravessa o país e atinge outros países.

Segundo matéria do jornal "O Globo" publicada em 09/09/2024 por Lucas Altino no site oglobo.com as queimadas dobraram em um ano e o governo mantém-se "atrasado" em suas iniciativas para evitar os problemas decorrentes  que configura-se em estado de emergência climática. (Veja matéria aqui).

Segundo a WWF-Brasil, ONG que atua há 28 anos para combater a degradação socioambiental e a vida das pessoas e da natureza, os incêndios não são decorrentes do processo natural do bioma no Mato Grosso, referenciando que os mesmos acontecem em 95% dos casos em propriedades privadas e que o governo possui iniciativas preventivas e de alerta sobre os mesmos. (Veja matéria aqui).

Como de costume, há a procura dos "culpados" de modo que sempre fica um empurra-empurra de responsabilidades - e depois que o fogo apaga, nada se faz.

O fogo e a fumaça são politizados, de modo que alguns acusam e outros defendem o governo e a população em suas classes. (Veja matéria aqui). O que me parece estranho é que ninguém consegue saber quem está certo ou errado. A coisa acontece e todo mundo é culpado e ninguém é responsável - e a vida segue, vira tudo fumaça.

Em meio a fumaça há uma disputa ideológica pelo poder. Mas, em meio a fumaça também estão muitas crianças, famílias inteiras e diversas pessoas que labutam todos os dias para colocar o alimento na mesa e preservar sua saúde em condições de vida limitada - são os esfumaçados por fumaças diferentes, com ambições diferentes e que sofrem de forma diferente.

Tendo por expectativa uma vida longa (não sei se tão longa assim com toda esta fumaça) estou chegando aos meus 50 anos de idade e durante toda minha jornada este problema sempre esteve presente e insolúvel. Será que não há algum outro caminho para uma humanidade mais inteligente e menos incendiária? Será que o problema realmente é sobre o culpado do fogo e da fumaça? Será que o ar que respiramos deixou de ser um bem comum?

Estes discursos politizados não resolvem a realidade das doenças respiratórias entre outros prejuízos incalculáveis na vida de milhares de pessoas.

Somos novamente assombrados pelo medo, medo da fumaça, mas mais do "humano".

Eu imagino que muitas pessoas como eu carregam este sentimento de frustração com o sistema político vigente - não estou falando de nenhum governo em particular - mas, da cultura política que se baseia em luta por poder para benefício particular, quando deveria ser pública.

A fumaça já foi problema entre vizinhos quando um ateava fogo no seu quintal enquanto o outro tinha roupas no varal. Mas hoje, a fumaça é maior, uma realidade ainda mais complexa e com implicações catastróficas.

Esta experiência deveria ser um sinal para toda nossa vida, de modo que, ao sinal de fumaça, combatamos não apenas o fogo, mas a índole dos incendiários inconsequentes - este traço que pode aparecer dentro de cada um de nós e que está amplamente estampado na vida de alguns.

Há muitas fumaças na Sociedade da Fumaça e cada uma delas permite reflexões importantes sobre nossa vida e história. Há fumaça que pode ser aroma e há fumaça tóxica que pode matar.


Ederson Malheiros Menezes (Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social - imaginacaosociologica.blogspot.com - educacaosociologica@gmail.com)

domingo, 25 de agosto de 2024

A jornada do amadurecimento político

A JORNADA DO AMADURECIMENTO POLÍTICO

Ederson Malheiros Menezes *

 

Vou tentar sintetizar aqui minha experiência com a política. 

Política é um tema meta morfo.

E, com isso, quero dizer que o tema política fica se transformando dentro das interações e épocas da vida, se constituindo em realidades diferentes na experiência, desde a repugnância da corrupção ao idealismo do bem comum.

Creio ser importante fazer uma retrospectiva de minha jornada que julgo de amadurecimento político.

Nos primórdios de minha adolescência, meu pai era cabo eleitoral (um líder de campanha política) e interagia intensamente com diversos personagens políticos. 

Meu pai foi uma primeira referência de uma pessoa envolvida com a política e ele realmente acreditava poder fazer o bem para as pessoas, que de fato fez muitas vezes, sem necessariamente ser político.

Então, nesta época íamos a grandes ajuntamentos de pessoas, os chamados "comícios" onde pessoas entusiasmadas ouviam discursos cheios de promessas e transformações - e, por incrível que pareça depois de mais de quarenta anos, nada mudou.

Nesta época minha consciência política se reduzia ao enfadonho tempo de esperar para aquela reunião interminável terminar, ou seja, era uma chatice.

As participações mais empolgantes se davam nas carreatas de vitória, um buzinaço cuja satisfação circunstancial era determinada por estar dentro de um veículo que passeava pelas ruas chamando a atenção com sons, gritos e bandeiradas,  como forma de representar o "nós vencemos".

A satisfação era muito mais por estar em um pódio do que por qualquer real conquista. Era um vencedor que não sabia exatamente qual era sua conquista.

Em minha juventude, comecei a compreender mais a política a partir das observações de vivências de meu pai, especialmente, suas frustrações ideológicas - principalmente decorrentes de pessoas falsas e sem ética alguma, com interesse único no poder e benefícios para si.

As frustrações com as pessoas e as politicagens levou meu pai ao distanciamento político e consequentemente, a me tornar o que pensava ser possível, um apolítico.

Então, foquei no estudo e no trabalho, cumprindo sempre que possível minhas obrigações políticas reduzidas ao voto, quase como um "uni-duni-tê, salamê, minguê, ... o escolhido foi você".

A política sempre me incomodava, pois me reportava a tristeza e frustração de meu pai em confiar nas pessoas e ser decepcionado.

Comecei a enfatizar que era uma pessoa apolítica e durante um bom tempo fiquei com esta posição.

O que mudou com o tempo?

Primeiramente, comecei a duvidar da possibilidade de ser uma pessoa apolítica, pois era impossível não deparar-se com algo na vida que não tivesse sido definido politicamente. 

Depois, percebi no trabalho, especialmente no exercício da liderança que omitir-se de espaços de liderança tinha um preço a se pagar. Se você é uma pessoa bem intencionada e se omite, alguém mal intencionado poderá ocupar aquele cargo ou função e você terá que se sujeitar por causa das estruturas organizacionais.

Esta consciência fez com que eu me envolvesse politicamente em lideranças organizacionais - o que tornou-se frustrante de igual modo no futuro.

Comecei meus estudos em sociologia e então foi que minha consciência começou a expandir-se sobre o embate político pelo poder.

Até então, julgo que minha compreensão era algo muito limitado.

Comecei a entender a força dos discursos, e a possibilidade de eles servirem não exatamente ao que diziam servir.

Comecei a vivenciar o dilema de ter que escolher não o melhor candidato, mas como se diz o "mal menor", porque não via mais como real o discurso do bem comum.

Uma das maiores contribuições para minha consciência política veio do mestrado que fiz em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social. 

Foi só após esta jornada que entendi como o sistema político opera em todos os setores e consequentemente atinge a vida das pessoas e todas as esferas.

Senão tudo, quase tudo é politizado.

No mestrado, através da pesquisa para dissertação, estudei a cultura ética de líderes do setor público e da esfera civil.

Neste período, enfrentei ameaças durante a pesquisa e recebi aquilo que pode-se chamar de tentativas de corrosão da minha ética.

Por fim, o que percebi de forma geral é que existem muitas pessoas que não fazem a mínima ideia do quanto suas vidas estão dependentes da política. 

Pior ainda, não fazem ideia do que seja a política para além do sua experiência de votar, que por um lado ainda é um dos poucos recursos minimizados para ação política dos sujeitos - um dos poucos que eles conhecem e se limitam obrigatoriamente a fazer.

Amadurecer politicamente pode ser compreendido como uma jornada de vida, vida que se transforma em grande parte sofrendo com os interesses particulares e que deveriam ser públicos.

Minha dissertação de mestrado termina com um conceito em latin: "cui bono?" que significa "bem para quem?"

O sentimento é de incredulidade generalizada pela existência de um sistema corrupto, formado por pessoas corruptas, principalmente, porque mesmo compreendendo o que significa ser público, ainda assim, cuidam apenas do bem particular.

Então, minha contribuição política hoje vem de minha imaginação sociológica, através da qual me proponho a despertar a compreensão das pessoas para um exercício político mais honesto e justo.

Para que as pessoas sejam vistas como seres humanos e não como fantoches, como escravos de manutenção do poder e privilégios indevidos.

Entrar em um debate polarizado de política? Eu? Não! Há muito tempo deixei as infantilidades de lado.


* Ederson Malheiros Menezes - Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social, MBA em Gestão de Pessoas, MBA em Caoching, Esp. em Psicologia Positiva, Esp. em Neuroeducação, Esp, em Gestão de Projetos Ágeis, Esp. em Docência no Ensino Superior, Esp. em EaD. Bacharel em Administração, Licenciado em Sociologia, Bacharel em Teologia. E-mail: educacaosociologica@gmail.com


segunda-feira, 3 de junho de 2024

Impactos socioemocionais de um mundo perturbador

IMPACTOS SOCIOEMOCIONAIS DE UM MUNDO PERTURBADOR

Ederson Malheiros Menezes*

 

O ser humano está numa condição de perturbação perturbadora.

No começo considerei que as mudanças eram decorrentes apenas do fato de estar vivendo novos ciclos de vida. Afinal, o ser criança, adolescente, jovem, adulto e entrar na maior idade, por si só, já são transformações intensas.

Também cheguei a considerar que o desafio era constituído pelo próprio modo de ver as coisas, do meu próprio pensar e sentir. Afinal, diferentes temperamentos e personalidades vivem as mesmas experiências de modo exclusivo.

Estas considerações iniciais me levaram a concluir que tanto os ciclos de vida como os modos de interpretação de diferentes temperamentos e personalidades devem ser considerados. 

No entanto, há fatores socioambientais, sociopolíticos, socioculturais, socioeconômicos, entre outros que merecem nossa atenção sobre as emoções vivenciadas neste mundo perturbador.

Catástrofes, corrupção, depreciação de valores e princípios, miséria, são algumas das realidades perturbadoras.

Algumas catástrofes tem sua origem em fenômenos incontroláveis, porém outras, em práticas de um modo inconsequente de exploração humana dos recursos naturais e consumo.

Infelizmente, sobre a "corrupção" considera-se que é um conceito limitado e fraco para definir realidades sociopolíticas do mundo - não consigo pensar em outro conceito úncio que tenha força suficiente para descrever a condição.

Como se não bastasse, a degradação do ser humano em termos de princípios e valores é tão intensa quanto a degradação do seu lugar de morada - enquanto alguns ajudam os desabrigados e feridos, outros saqueiam e matam no mesmo ambiente.

Sim, a consequência inevitável é a miséria que se articula em todos os sentidos da vida, da realidade econômica às relações e interações humanas - a perturbação é resultado e razão criando um ciclo que se precipita em degradação sem controle.

Então é possível começar a definir o que significa "mundo perturbador" e quais emoções definem esta condição de experiência.

Medo da morte, medo do amanhã, medo da fome, medo do outro, medo da doença e medo do sofrimento.

Revolta da realidade, revolta da injustiça, revolta da indiferença, revolta da existência em condição degradante.

Os possíveis antônimos da esperança estão todos presentes: desesperança, descrença, incredulidade, ceticismo, dúvida, desilusão, desengano, decepção, desapontamento, desespero.

É perturbador ler, é perturbador escrever, é perturbador ver esta realidade e viver ela dia após dia em um ritmo acelerado com cada vez  menores pausas para se respirar.

As patologias crescem, as pessoa adoecem de diferentes modos e em todas o diagnóstico da perturbação está presente.

Piora o fato de que o jornalismo e a mídia fatídica global se constituem em uma proposta da qual nenhum ser humano possui condições psicológicas de gerenciar - o relato massivo de problemas e desafios que transcendem a condição humana de superação cultivam uma condição de desamparo e desespero silencioso. Deste modo o adoecer emocional torna-se imperativo.

Inaugura-se assim uma era decisiva ao ser humano. Ele precisa decidir o que fazer com toda perturbação vivenciada. Da atitude individual aos movimentos coletivos, o imperativo é no sentido de mudanças mais intensas e reais.

Destacam-se em minha limitada compreensão as seguintes ações:

  • Aprender sobre inteligência sociemocional como uma necessidade emergente para capacitação diante da perturbação incapacitante para a vida;
  • Superar o individualismo com o exercício de resoluções conjuntas para problemas coletivos;
  • Reforçar os valores e princípios coletivos;
  • Dar o tempo necessário para avaliar o fluxo da vida e as consequências das proposição humanas;
  • De modo imperativo, não fortalecer a perturbação do mundo e não ficar indiferente por causa da perturbação continuada.

Pode parecer clichê e utópico afirmar que amar ao próximo e amar a vida em toda a sua extensão são bases efetivas de uma reconstrução. Um amor que é sentimento e que é ação, que é modo de vida.


*Ederson Malheiros Menezes - Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social, MBA em Gestão de Pessoas, MBA em Coaching, Esp. em Psicologia Positiva, Esp. em Neuroeducação, Esp. em Gestão de Projetos Ágeis, Esp. em Docência no Ensino Superior, Esp. em EaD. Bel. em Administração, Licenciado em Sociologia e Bel. em Teologia. E--mail: educacaosociologica@gmail.com.

domingo, 7 de abril de 2024

Pensando a Sociedade e a Vida com os Clássicos da Sociologia

Pensando a Sociedade e a Vida com os Clássicos da Sociologia

Ederson Malheiros Menezes*


O objetivo deste texto é criar a partir dos Clássicos da Sociologia (Durkheim, Weber e Marx) alguns questionamentos que ajudem a refletir a realidade social.

 

Émile Durkeim

A partir de Durkheim, questiona-se sobre o que existe antes do indivíduo, que é algo generalizado e que tem poder coercitivo para conformá-lo a uma proposta de vida e sociedade. Que proposta é esta? Esta proposta de sociedade é orgânica e está alinhada com o positivismo Durkeiminiano? A realidade reflete algum tipo de anomia ou coesão social? Estes questionamentos ajudam tanto em uma visão do todo quanto das particularidades daquilo que envolve a vida social baseado nos fatos sociológicos.


Max Weber

A partir de Weber, considera-se as ações sociais existentes e a partir delas questiona-se acerca da motivação destas ações, tentando compreender formas de poder e tipos de ações. Weber parte de algo particular (ação social) e procura compreender nas características desta particularidade realidades sociais pertencentes ao todo. A construção social caminha para promover a liberdade humana ou a escraviza? Como esta ação social pode ser categorizada? Que tipos de poder podem ser observados?


Carl Marx

Já em Marx, há uma afronta direta ao sistema capitalista, mais especificamente ao modo de produção capitalista, a forma de trabalho e a condição do trabalhador. Então, compreender se este processo é alienante ou não será algo significativo. De que modo a sociedade está estruturada? Quem detém o poder e os recursos de produção?

 

Sobre o Pensar Empower

Pensar de um modo poderoso é compreender sua realidade social. E os autores clássicos nos ajudam neste sentido dando formas de olhar e questionamentos que auxiliam a compreensão da própria vida em sociedade.

 A partir dos clássicos é possível compreender que existe uma visão positiva da sociedade que exige conformação a ela, por isso, formação de hábitos e costumes que auxiliem neste processo.

Mas, também é possível compreender que existe uma visão negativa da sociedade, sendo que esta em seu processo de racionalização excessiva pode gerar um vazio existencial, além de muitos outras condições ou sub condição de vida.


Por que estudar sociologia é importante?

Creio que esta questão ocupa a mente de muitas pessoas e a resposta mais simples possível é: consciência. 

O ser humano sem consciência de sua realidade é como um zumbi governado por forças desconhecidas. É escravizado pela redução de sua liberdade e vontade, destituído pouco a pouco de sua própria vida, guiado a frustração existencial.

Para que isto não aconteça, questione-se:

Qual é a proposta de sociedade vigente da qual você faz parte?

O que está envolvendo sua vida e definindo sua história?

Quais forças ou poderes atuam em oculto e que influenciam sua vida?

Que condições existem para você se desenvolver e realizar-se através do trabalho?

Em qual direção a vida está apontando para a coletividade: algo bom ou ruim?

Pensar sobre a sociedade a partir dos clássicos pode ser um exercício desafiador, mas muito significativo para a vida de todas as pessoas.


* Ederson Malheiros Menezes (Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social, MBA em Gestão de Pessoas, MBA em Coaching, Esp. em Psicologia Positiva, Esp. em Gestão de Projetos Ágeis, Esp. em Neuroeducação, Esp. em Ensino Superior, Esp. em EaD. E-mail para contato: educacaosociologica@gmail.com - Blog de sociologia:  imaginacaosociologica@blogspot.com).

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Trabalho - O primeiro dia e os dias seguintes

 

 TRABALHO, O PRIMEIRO DIA E OS DIAS SEGUINTES

Ederson Malheiros Menezes


O que me faz escrever este texto é o primeiro dia de trabalho de minha filha primogênita. 

Antes mesmo do seu primeiro dia, a ansiedade e o nervosismo envolvem seus dias e  suas palavras carregadas de emoção.

Quando chegou o primeiro dia, antes de sair de casa precisou recuperar o fôlego, estava nervosa.

Como pais, acompanhamos todo o processo - e, como pais corujas, fazemos isso com o coração na mão, sabendo que é necessário e ao mesmo tempo querendo ser e estar presente para qualquer eventualidade.

Está sendo diferente este primeiro dia de trabalho para minha filha do que foi para mim.

Eu não me lembro de meu primeiro dia de trabalho, pois saí de casa com 13 anos para trabalhar e continuar os estudos.

E, antes mesmo de sair de casa já tinha uma diversidade de atividades que considerava como trabalho.

Minha mãe tinha uma necessidade empreendedora de modo que sempre me carregava com ela em iniciativas diversas para comercializar diferentes produtos.

Eu quase morria de vergonha, mas isto é assunto para outro dia.

Quando saí de casa para trabalhar, na verdade, não via como trabalho, mas como atividades que de algum modo precisavam ser realizadas e eu tinha parte nelas.

Para minha filha, em seu compartilhar percebi que o trabalho era visto como uma necessidade social.

Ela via suas colegas do ensino médio começando a trabalhar e então sentia-se compelida a fazer o mesmo.

Meu filho do meio que ainda está no ensino médio vive uma ânsia contínua por trabalho, não necessariamente por trabalho, mas pelo dinheiro que quer ganhar e  usar para comprar coisas que deseja.

Então, para ele o trabalho é um meio para ganhar dinheiro.

Talvez este compartilhar familiar sobre visões acerca do trabalho possa ser suficiente num primeiro momento para indicar que o trabalho é uma experiência muito diversificada para as pessoas.

Alguma pessoas amam o que fazem e não pensam em parar de trabalhar nunca. Já outras pessoas, detestam o que fazem e não vêem a hora de parar de trabalhar e se possível se aposentar.

Há diferentes expectativas sobre o trabalho.

Há um interesse externo ao próprio sujeito de que ele seja produtivo. Em parte este interesse recai como coação, afinal não ser produtivo é ligeiramente mal visto e logo categorizado, senão adjetivado negativamente: não é mesmo preguiçoso?

Neste sentido, pode haver conflitos entre a produtividade externamente exigida e o que o próprio indivíduo compreende como necessário para sua vida - esta tensão tem envolvido sobretudo as novas gerações.

Mas ainda há os dias seguintes, após o primeiro dia de trabalho...

Então, os dias seguintes de trabalho não apenas por esta questão de conflito, mas por muitas outras envolvidas, vai ser muito dinâmico e cheio de novas experiências.

Nesta jornada você pode sentir-se ou mesmo ser classificado de diversas formas, desde um "vagabundo desocupado" a um "workaholic inveterado".

Mas, deve haver um meio termo satisfatório em tudo isso, não acha?

Tanto o primeiro dia de trabalho como os dias seguintes sempre sofrerão a tensão entre o que deveria ser e o que é.

Para alguns o primeiro passo de uma jornada de realização, para outros de frustração. E quem decide isso?

Vou deixar você responder esta questão, ok?


Ederson Malheiros Menezes (Mestre em Práticas Socioeculturais e Desenvolvimento Social, MBA em Gestão de Pessoas, MBA em Coaching, Esp. em Gestão de Projetos Ágeis, Esp. em Psicologia Positiva, Esp. em Neuroeducação, Esp. em Docência no Ensino Superiro, Esp. em EaD. Graduado em Administração, Sociologia e Teologia - edersonmenezes.com.br)

sexta-feira, 26 de maio de 2023

O SENTIMENTO DE ENCURTAMENTO DA VIDA

 O SENTIMENTO DE ENCURTAMENTO DA VIDA

Ederson Malheiros Menezes*

 

QUANDO EU ERA CRIANÇA

Posso dizer que tive uma infância relativamente privilegiada.

Quando eu era um junior-adolescente minha maior expectativa era o término do período de aula matinal.

Não que não gostasse, mas sempre tinha algo mais interessante em mente para fazer.

E, desde que não houvesse algum afazer para ajudar os pais depois do almoço, o tempo era livre para fazer o que desejasse.

Penso hoje, que este tempo era um estímulo à criatividade e acredito que você sabe o quanto crianças, juniores e adolescentes podem ser criativos - não é mesmo?

Mas, o que faz retomar esta lembrança é o fato de que aquele tempo parecia voar - em grande parte, desconhecido do Sr. Relógio.

Eu ficava tão imerso nas invenções, atividades, aventuras, brincadeiras e tudo o mais.

A experiência se desvinculava do tempo e assim, anoitecia na rua.

Sempre ficavam planos para o dia seguinte.

Porém, o tempo era "curto" de um modo diferente - insuficiente de tanto prazer.


QUANDO EU ERA JOVEM

Saí de casa aos 13 anos de idade para trabalhar e continuar os estudos.

No começo eram tantas novidades que de igual modo o tempo parecia nunca atender.

Era um tempo também demarcado por descobertas, porém agora muito mais cronometrado, sempre em busca de atender o "tic-tac" para dar conta de tudo.

Além do trabalho que ocupava a maior parte do tempo, era necessário atender os estudos, atividades físicas e aos finais de semana algum tipo de lazer - quando possível.

E conforme este tempo passava as expectativas aumentavam, assim como a cobrança social e a autocobrança, competitividade e sentimento de insuficiência - primeiras experiências de pressão!

Enquanto somos crianças, juniores, adolescentes e jovens pouco pensamentos se ocupam de forma tão profunda acerca do tempo - parece que tudo tem começo, mas nunca tem fim - parece que sempre haverá não apenas tempo suficiente, mas mais tempo.

Os novos projetos de vida obrigam que você comece a fazer seu dia a ter mais do que vinte e quatro horas. E, por ser jovem, o esgotamento é suportável.

Mas, se quando criança o tempo era qualitativo (cheio de vida), agora ele passa cada vez mais a ser quantitativo (cheio de "tic-tac").

E, apesar do desejo de se viver intensamente cada experiência, a medida que as atividades são empilhadas em nossa existência, tudo passa a ser mais superficial.

 

QUANDO FIQUEI ADULTO

O que difere o jovem do adulto em uma questão temporal e de consciência de seu tempo é a profissionalização.

Palavras como produtividade, maximização, excelência, alta performance e outras que se somam, indicam que o adulto continua querendo aumentar o seu tempo para viver mais, apesar do dia continuar tendo as mesmas duas dúzias de horas.

O sentimento de encurtamento da vida se intensifica e se modifica.

Quando criança o tempo era insuficiente e quase não perceptível pela imersão e realização do que se fazia.

Quando jovem, o tempo começava a cobrar que fosse cronometrado e os desafios tinham ao seu dispor todo potencial que um jovem possui com toda sua força.

Quando fiquei adulto, a única forma de atender a maximização da cronometragem era a maximização da eficiência pessoal e de todos os processos possíveis - de modo que as forças davam dia a dia sinais de limitação, assim como, as atividades intermináveis se acumulavam sobre uma mesa de angústia.

O sentimento de encurtamento da vida esta presente em todas as fases ou em todo o ciclo da vida.

Cada sentimento apresenta-se de seu modo não apenas em uma questão temporal, mas também e talvez ainda mais, encurtado pela experiência que algumas vezes já se fez tão satisfatória e em outros momentos tão restrita.

 

NO CAMINHO DA MAIOR IDADE

É aqui que a questão do tempo recebe mais atenção.

Afinal, se no começo da jornada ela parece ser tão insignificante, em seu término ocupa o pódio da existência.

O exercício da seletividade começa a tomar conta da vida. Por quê?

Por que você percebe que há muito mais tempo vivido do que para se viver. E o sentimento do encurtamento da vida é percebido novamente de uma forma diferente.

As lembranças são resgatadas para ajudarem a fazer as melhores escolhas para o tempo que ainda resta.

Cada segundo começa a ser valorizado com maior intensidade.

Aprendemos a cronometrar tantas coisas desnecessárias e agora sentimos um impulso para cronometrar o que realmente importa - "resgatar o tempo perdido".

 

TUDO TEM UM FINALMENTE...

Finalmente, começa a clarear que em grande medida o que importou foi o sentimento da experiência, pois o tempo cronometrado sempre foi o mesmo.

O cronometrado não pode ser curto ou longo, ele é o que matematicamente é.

Já o sentimento da experiência é tão diverso, será ele que vai dizer no final se o viver foi um tempo curto, longo demais ou adequado e satisfatório.

Minha tendência assim, é considerar que o sentimento de encurtamento da vida não se dá primordialmente pelo número de anos que uma pessoa vive, mas pelo modo como ela vive e experimenta a vida.

E, se hoje o sentimento de encurtamento da vida tem um tom incômodo para nós, deveríamos não tentar ajustar o relógio, mas sim nosso modo de viver.


*Ederson Malheiros Menezes (Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social, MBA e Gestão de Pessoas, Esp. em Gestão de Projetos Ágeis - educacaosociologica@gmail.com)

domingo, 23 de abril de 2023

"Bruxaria Científica" ou Sociologia?

BRUXARIA CIENTÍFICA OU SOCIOLOGIA?

Dentre os sentidos possíveis da palavra "bruxaria" está o de "acontecimento extraordinário, inexplicável, que se atribui a forças sobrenaturais. (dicio.com.br)".

Nunca havia imaginado a relação de tal conceito com a sociologia e de certo modo instigou minha atenção.

[...] Várias tentativas foram - e são - feitas para colocar barreira entre a sociologia e o mundo social. Tem havido - e ainda há - uma constante fetichização da metodologia, uma ênfase na "neutralidade de valores", o desenvolvimento de uma linguagem "científica" especializada e esotérica destinada a confundir os não iniciados, a adoção da parafernália do profissionalismo - tudo isso funcionando como uma barreira entre a sociologia e o mundo que ela investiga. Dessa maneira, a sociologia torna-se uma espécie de "bruxaria" científica que assume uma existência própria muito distante e isolada dos seres humanos que ela pretende descrever, investigar e analisar. (Michael Hviid Jabobsen e Keith Tester).

Me parece que esta "bruxaria científica" não é um problema exclusivo da sociologia, mas sim de várias áreas do conhecimento.

A busca pelo inusitado, pelo revolucionário, pelo mais tecnológico e assim por diante tem conduzido iniciativas que se distanciam e se perdem até mesmo de seu objeto de estudo.

A justificativa destas iniciativas segundo os próprios autores supracitados é considerar uma atividade social "singularmente livre do poder, do autointeresse e do preconceito.

No entanto, apesar da relevante justificativa, o resultado tem sido  uma irrelevante sociologia.

O diagnóstico final é que "a sociologia precisa ser resgatada de si mesma".

O remédio que já vem sendo ministrado há algumas décadas chama-se "imaginação sociológica". Afinal, "privada de imaginação sociológica, a sociologia só pode fornecer informação; e, na visão de Mills, a quantidade de informação que o mundo dispõe já é maior que sua capacidade de lidar com ela".

Meus próprios limites limitam observar todas as implicações possíveis. Entretanto, a observação acerca de qual sociologia se pratica creio ser relevante para o momento e também para as próximas gerações.

Estamos diante de uma sociologia da sociologia que desafia os pensadores e a própria compreensão e experiência da vida.

O simples, reconhecidamente mais humanitário parece-me ser uma boa retomada metodológica. Afinal, voltar pode não significa retrocesso como alguns pensam.

Não é uma defesa dos clássicos, mas um convite para refazer os exercícios de uma forma talvez diferente.

Então, desejo a você uma incrível imaginação sociológica!


Ederson Malheiros Menezes (Licenciado em Sociologia e Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social - educacaosociologica@gmail.com)

quinta-feira, 16 de março de 2023

Minha relação com a esfera social e a sociologia

MINHA RELAÇÃO COM A ESFERA SOCIAL E A SOCIOLOGIA


Como escolhi a sociologia?

Minha pretensão inicial era fazer uma graduação em filosofia.

Mas, devido a alguns fatores geográficos e condições de tempo a opção que tornou-se viável foi sociologia.

Não perdi minha apreciação pela filosofia, mas fiquei muito surpreso e realizado com minha licenciatura em sociologia.

Hoje,se tivesse que escolher entre os cursos filosofia e sociologia, esta segunda opção seria com certeza a opção preferencial.

Uma breve autoanálise - Sociologiaa

Ao questionar a razão desta predileção pela sociologia caí em uma autoanálise da própria jornada de vida e que para mim, justifica o fato da sociologia ter este encaixe comigo.

Eu sempre digo que passei um bom tempo da minha vida morando em uma rua que separava o centro da cidade do bairro.

Isso permitiu conviver com realidades sociais muito diferentes.

Tinha amigos que brincavam com pneu velho de bicicleta e outros que esbanjavam suas motocicletas e os carros que usavam de seus pais.

Não entendia a razão das diferenças e não tinha a mínima condição de fazer qualquer análise social naquela época - era apenas um junior adolescente.

Minha experiência era tão somente de vivenciar as esferas em suas contrastantes diferenças.

Uma simples consideração da essência

Creio que pela forma de criação, sempre olhei as pessoas como pessoas e não por aquilo que elas possuem ou não.

No entanto, a curiosidade quieta e interna sempre instigou no sentido de entender mais o meu entorno.

Quando paro para pensar sempre me vejo preocupado com a condição de vida das pessoas, com a justiça e uma sociedade harmônica.

Sou um pessoa reservada, pouco sociável, mas profundamente preocupada com a condição social.

Esta preocupação parece uma daquelas coisas que fazem parte de sua essência, não tem como simplesmente abrir mão dela.

A resposta para o caso da sociologia

Em algum momento, muitos jovens pensam em mudar o mundo - eu também pensei e tentei isso muitas vezes.

Mas, mais do que por um momento, isto continua na minha vida.

Claro! Conforme o tempo passa você amadurece, percebe suas limitações e então foca na sua possibilidade de contribuição - entendendo que por menor que seja, desde que efetivamente positiva, é muito importante.

Esta reflexão poderia estender-se em relação a muitas outras experiências, mas todas vão afirmar a mesma coisa.

Parece então que não escolhi a sociologia, foi ela que me escolheu não apenas como uma ciência, mas como uma experiência de vida.


Ederson Malheiros Menezes - MAR/20223

Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social