SOCIOLOGIA DA REDE SOCIAL
Ederson Malheiros Menezes
A começar por este título, alguém poderia dizer que ele não é atrativo ("não é sexy") - o pessoal do marketing vai com certeza reclamar.
O que é a Rede Social ou o que são as Redes Sociais?
Instrumento(s) de compartilhamento e exposição social. Mas, isto é só o começo...
Por que migramos de populações predominantemente tímidas para múltiplos perfis exibicionistas?
De repente o quieto foi obrigado a falar, o oculto foi obrigado a se expor, o particular tornou-se público.
De repente, o medo de expor-se virou em uma febre patológica de autoexposição.
Recentemente ri quando alguém lembrou comparativamente em uma postagem que um astronauta foi até a lua e tirou quatro fotos e que um usuário da rede social foi até sua academia e tirou centenas de fotos além de fazer vários vídeos. A grandeza dos feitos era realmente diferente!?
Por que devo expor minha vida nas redes sociais? O que espero com isso?
Alguém poderia dizer que expor-se tornou-se uma questão existencial, afinal se você não estiver nas redes sociais, você "não existe".
Então, num primeiro momento, significa dizer "oi, estou aqui, eu existo, este sou eu".
Mas, isto torna-se tão mais intenso, pois você pode configurar de modo fácil quem é você, e fazer isso de diferentes formas, experimentar diferentes "eus" que atendam as demandas sociais e sonhos pessoais.
Mas, por que preciso doentiamente chamar tanto a atenção dos outros?
Primeiro, porque é o que todo mundo faz e nem sequer questiona acerca de um motivo.
Segundo, porque se você pensar um pouco perceberá que é uma ilusão confortante, que trata superficialmente da existência frustrada. É uma ilusão que se retroalimenta, que cresce em proporções muito diferenciadas entre o virtual e o real. Evidentemente, que o virtual é mais falsamente virtuoso.
Alguém precisa olhar nos seus olhos e dizer: sua vida é uma mentira, uma ilusão, acorda!
Mas, por que ninguém se coloca neste sentido de abrir os olhos dos outros? E a resposta é que são realmente poucos que não estão alucinados, são poucos os conscientes, além de que, tirar pessoas de seus sonhos ilusórios não é bem visto, gera confusão nos relacionamentos.
A ansiedade não diminui ao postar, ela se intensifica, afinal, agora vêm a parte das curtidas, como se meu futuro dependesse de muitos cliques.
Curtida significa aprovação, abrangência, importância, status, etc, etc...
As novas gerações se acostumaram com estas relações vazias e superficiais mediadas pelas redes sociais.
Mas este acostumar-se tem um preço, o preço da contínua insatisfação, da ânsia constante de que sempre está faltando algo, e que faz intensificar as publicações porque não se sabe a resposta para seu próprio vazio.
Lembre-se disso: o superficial sempre vai ser vazio.
Volto ao título deste texto "Sociologia da Rede Social" - é evidente que este texto jamais poderia ser compreendido para além de uma introdução a uma pequena reflexão, a um ensaio, pois a questão é muito mais complexa e abrangente do que os grãos de areia aqui destacados e que pertencem a uma imensa praia ou deserto.
Precisaríamos, por exemplo, refletir sobre se esta "rede" é um tipo de coerção social, e qual o resultado desta coerção. Precisaríamos entender de que modo as "redes" mobilizam as ações das pessoas que vemos nas ruas caminhando e dirigindo sem tirar os olhos da tela. Enfim, há muitas coisas para observar tendo em vista uma "Sociologia da Redes Sociais".
Aqui quero apenas instigar você a pensar sobre seu próprio uso das redes sociais e os impactos positivos e negativos dela em sua vida.
É claro que temos muitos perfis para além deste que posta nas redes sociais, por exemplo há aqueles que apenas navegam infinitamente vegetando na frente da tela.
Mas isso e muito mais, será assunto para outros diálogos e reflexões.
Ederson Malheiros Menezes (Mestre em Práticas Socioculturais e Desenvolvimento Social - educacaosociologica@gmail.com)